A disputa pela liderança da transição política no Espírito Santo até 2026 é a agenda oculta das eleições de 2022. Trata-se de uma disputa de poder, muito mais do que apenas a disputa do governo. As inúmeras pré-candidaturas já colocadas apontam para esse horizonte de 2026. Disputa-se 2022, sim, mas com o olho em 2026. Forças sociais e empresariais, e grupos políticos, movimentam-se desafiando a Teoria das Probabilidades.
O governador Renato Casagrande (PSB) lidera a transição e ocupa a “pole position” para 2022. Desta vez, o poder incumbente terá vantagens melhores do que em 2018. Os Estados estão no azul em suas contas e o Espírito Santo continua com Nota A. A liderança do governador na gestão correta da pandemia é reconhecida pela população. Sem contar as entregas de obras e serviços por todo Estado.
Mas os dois maiores líderes políticos do ES nos últimos 20 anos – Renato Casagrande e Paulo Hartung – travam uma disputa surda, com seus respectivos aliados e grupos políticos, pela liderança da transição. É disputa de poder político regional, e não apenas a conquista da governadoria ou da vaga para um novo senador.
Casagrande chegou ao governo, mas ainda não chegou ao Poder. Hartung deixou o governo, mas retém recall e liderança nas instituições e aparelhos de poder, na imprensa tradicional e nos meios empresariais. Ele afirma que não será candidato em 2022. E o governador afirma que não decidiu ainda se vai ser candidato à reeleição. Ao mesmo tempo, estão se formando pré-candidaturas que já foram, ou ainda são, das áreas de influência dos dois líderes.
E daí? Daí que a disputa maior predomina: a disputa do poder político. Trata-se, agora, de formar um “todos contra um” no primeiro turno de 2022 e levar a disputa para segundo turno. Caso não seja possível impedir a reeleição de Casagrande, haverá acúmulo de forças para 2026. A busca do poder político. Nesta direção, a disputa pela governadoria está povoada de muitas pré-candidaturas, assim como a disputa da única vaga ao senado da República. Sem contar os discretos aspirantes à vice-governadoria na chapa de Casagrande, caso ele venha a disputar a reeleição.
Com os fundos eleitoral e partidário anabolizados, já se pode enumerar nada menos que oito pré-candidatos a governador: Felipe Rigoni (União Brasil); Carlos Manato (PL?); Erick Musso (Republicanos); Aridelmo Teixeira (Novo); Audifax Barcelos (Rede); Guerino Zanon (MDB?); Evair de Melo (PP); Fabiano Contarato (PT). E o próprio governador Casagrande. Pista congestionada.
Já para a vaga do Senado, despontam: Rose de Freitas (MDB); Amaro Neto (Republicanos); Josias da Vitoria (Cidadania); Sérgio Meneguelli (Republicanos?); Magno Malta (PL); e, talvez, Paulo Hartung (sem partido). Pista congestionada. O fato novo é a força emergente do Republicanos.
Essa movimentação já frenética influencia disputas e arranjos na miríade de instâncias, instituições, associações e aparelhos de poder político: os Três Poderes constitucionais; o poder local/municipal; as associações civis; as federações empresariais; os hubs das redes sociais; os meios de comunicações.
Movimentações para garimpar apoio eleitoral e alavancas de poder. Serão eleições regionais concorridas. Troca da guarda agora ou em 2026? Tudo isso com a nova adrenalina da sucessão presidencial. Ano político “sui generis”. Aqui, o “fator Republicanos”. Lá, o “fator Lula”.