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Aquiles Reis é músico e vocalista do MPB4. Nascido em Niterói, em 1948, viu a música correr em suas veias em 1965, quando o grupo se profissionalizou. Há quinze anos Aquiles passou a escrever sobre música em jornais. Neste mesmo período, lançou o livro "O Gogó de Aquiles" (Editora A Girafa)

"No Tempo das Marés" mostra como Rogerio Santos é grande

Novo álbum do músico traz os violonistas Italo Peron e Cláudio Duarthe como arranjadores em sete canções

Publicado em 02/06/2020 às 06h00
Atualizado em 02/06/2020 às 06h01
Disco
Disco "No Tempo Das Marés", de Rogerio Santos. Crédito: Divulgação

Muitos se surpreenderão com o tamanho elogio logo no título. Afinal, Rogerio Santos é um cara que, para além de seu círculo mais próximo de amizades e de suas relações familiares, poucos conhecem. Não tiro a razão de quem, diante de um poeta, cantor e compositor novato, prefira conter-se ao adjetivar. Pois como reza o dito popular, cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

Mas não faço por capricho, não, juro! Só que eu não me avexo nem um tiquinho de derramar elogios a novos valores – gente que não se cansa de musicar. Entretanto, um dogma perverso, forjado em grana, determina que cabe a eles serem invisíveis.

Mas as poetisas, cantoras e compositoras, os poetas, cantores e compositores não desistem - no que fazem muito bem. A eles rendo minhas homenagens. Para eles me derramo em adjetivos.

Pois bem, Rogerio Santos (o lá do título, lembra?) lançou "Crônicas Paulistanas", seu primeiro disco, em 2014. Foi ao ouvi-lo que suspeitei estar diante de uma carreira promissora, e escrevi: “(...) Voz afinada e com suingue na divisão das frases, Rogerio Santos é um bom cantor. Com linguajar cosmopolita, diametralmente oposto ao de Adoniran [o trabalho era uma ode às gentes paulistanas], com imagens mais rebuscadas, concepções poéticas mais modernas e inusuais, ele busca o feito de ser um novo cantador da alma dos paulistanos (...)”.

Hoje Rogerio lança "No Tempo das Marés" (independente), o seu segundo álbum. Foi um prazer ter os dois discos para ouvir e traçar paralelos. São corajosos e corajosas os que veem o futuro na lonjura do (im)possível.

Os violonistas Italo Peron e Cláudio Duarthe são arranjadores de sete das dez músicas do álbum e diretores musicais do trabalho. Como reis das cordas, dividiram entre si violões de náilon de 6 e 7 cordas, violão de 12 e bandolim. Além deles, o álbum conta com Ari Colares (percussão), Maiara Moraes e Marina Beraldo Bastos (flauta), Ivan Gomes (baixo), Wellington Moreira (percussão) e Matheus Mafra (violão de náilon de 6).

E com participações especiais também. Dentre elas, Fabiana Cozza e Tatiana Parra, sendo que esta dividiu o canto com Rogério Santos na faixa de abertura, “Marujada” (Rogério Santos e Julia Andrade), com arranjo dos autores.

É indescritível o impacto desta música. Apenas um pandeirão, tocado por Rogerio Santos, e o cantar. Cantos e contracantos, pausas e cânones, uníssonos, vocalises abertos em duos e em uníssonos harmoniosos. Música!

Eu já estava quase escrevendo que “Marujada” valia pelo CD. Parei. Não é verdade. Depois desta música, outras me encantaram. Por exemplo: a linda “Santa Clara”, da tão querida e saudosa Lucina Carvalho (da dupla com Lulhi) e Rogerio Santos.

Ou “A Palavra e o Poeta” (Gabriel Meyohas e GS), quando Santos vem a capella com os versos: “(...) Nos lábios do poeta/ A palavra namora/ A palavra se entrega/ Na língua do poeta”.

Meu Deus, Rogerio Santos, a música é seu dom. A palavra é seu mistério desvendado. A emoção, sua guia.

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