Já está na estrada. Movimentando-se para fazer entregas e conquistar apoios políticos. Seu desafio é penetrar no eleitorado das classes C , D e E.
Para além de narrativas ideológicas, o perfil predominante no eleitorado é pela melhoria dos serviços públicos e melhores condições de vida.
A caça aos votos vai exigir capacidade para impulsionar convencimentos nas redes sociais e maior aproximação com o interior do Estado.
Ele está na estrada da política desde 1983. Longe de ser um novato. Galgou todos os degraus: vereador, deputado estadual, presidente da Ales, secretário de Estado três vezes, deputado federal, senador e vice-governador duas vezes.
Virou lenda nos meios políticos capixabas que ele é ruim de voto. Não é isso que mostram, por exemplo, as suas votações para deputado federal e depois para senador em 2010. Mesmo em 2018, atropelado pelo tsunami bolsonarista nas redes sociais, foi bem votado na derrota.
As eleições de 2026, precocemente antecipadas, aparecem no horizonte como das mais complexas, intrincadas e competitivas. A indústria das eleições vai com força para a arena política. Um aumento de custos das eleições é esperado.
Além de Helder Salomão do PT , ele pode ter como adversários ou Lorenzo Pazolini ou Paulo Hartung. E, quem sabe, Josias da Vitória ou Evair de Mello ou Marcelo Santos. Caixinhas de surpresas típicas de eleições.
Pazolini e Hartung, para citar apenas os que já aparecem bem nas pesquisas de opinião, são portadores de histórico e lastro de votos e de boas gestões.
O sarrafo das razões de votos em 2026 deverá ser a gestão. O cansaço com ideologias e polarizações é evidente nas pesquisas e nas ruas. Um cansaço que estimula a alienação política e até o desprezo pelos políticos.
Ricardo já aparece bem nas pesquisas. Uma bem recente da Paraná Pesquisas o coloca em segundo lugar, próximo de Pazolini. Dada a margem de erro, a distância é muito pequena. Da ordem de 9%.
Pazolini aparece na estimulada com 27,2%. Ricardo aparece com 18,1% e Sérgio Vidigal com 15,7%. Tanto a rejeição de Pazolini quanto a de Ricardo são baixas, da ordem de 12%. Ambos são competitivos.
Mas a essa altura do campeonato é preciso olhar as intenções espontâneas. 72% ainda não sabem em quem votar em 2026 para governador. Tem muita água para passar debaixo da ponte.
Ricardo também tem bom histórico de gestão. Passou por três governos como secretário ou vice-governador. Portanto, digamos, já ralou no chão de fábrica.
Alianças políticas serão, como sempre, importantes em 2026. Porém, a simbologia do bom gestor vai pesar muito. O eleitor está menos propenso a “seguir” recomendações de votos de apoiadores políticos. O apoio do governador Casagrande será relevante, por sua boa avaliação. Mas longe de ser suficiente.
O busílis para Ricardo é mostrar-se capaz de continuar o projeto do governo Casagrande & Ferraço. Todavia, o essencial será a capacidade de conexão direta com o eleitor. Convencer que vai entregar.
2026 pode ser a última chance política para Ricardo Ferraço realizar o sonho de governar o Espírito Santo. Os ventos da renovação estão batendo na porta. A nova geração pede passagem.
O que pode também ajudar Ferraço é o fato de as elites políticas capixabas saberem que com ele a fila vai andar mais rápido. Se assumir a governadoria em abril de 2026, e se for eleito depois, ele não poderá ter outra reeleição em 2030. A fila anda.
Tudo somado, a viabilidade eleitoral de Ricardo Ferraço vai requerer a construção e conquista de um mix:
(1) a transformação da sua experiência política e administrativa em capital simbólico de bom gestor;
(2) a conquista de capital social com a atração da atenção e empatia das classes C, D e E;
(3) a ampliação do seu capital político com a costura de apoio multipartidário e a penetração no ambiente das periferias urbanas e no mundo do interior do ES.
É uma estrada longa e de curvas traiçoeiras.