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Política

Casagrande encapsula um chapão para liderar a sua sucessão em 2026

Sabendo desde já que as eleições de 2026 no Espírito Santo serão mais difíceis e disputadas, o governador correu o risco calculado da antecipação das suas potenciais candidaturas. Contornou o conhecido risco político de queimar a largada

Públicado em 

08 fev 2025 às 01:00
Antônio Carlos de Medeiros

Colunista

Antônio Carlos de Medeiros

O governador Renato Casagrande inaugurou politicamente 2025 com um golpe de mestre: encapsulou a sua sucessão. E colocou o bloco na rua.
Com boa aprovação no eleitorado capixaba, Casagrande avançou duas casas a partir dos resultados positivos obtidos nas eleições municipais do ano passado. Sua gestão também é bem avaliada.
Sabendo desde já que as eleições de 2026 no Espírito Santo serão mais difíceis e disputadas, o governador correu o risco calculado da antecipação das suas potenciais candidaturas. Contornou o conhecido risco político de queimar a largada.
Cravou a candidatura natural do vice-governador Ricardo Ferraço. Mas costurou um grupo de potenciais candidatos de peso: Ricardo Ferraço (MDB); Euclério Sampaio (agora União Brasil); Arnaldinho Borgo (Podemos, mas pode mudar); Sergio Vidigal (PDT); e Gilson Daniel (Podemos).
A gestão estadual é bem avaliada. Além disso, as receitas do governo estadual cresceram nos últimos anos, no contexto da preservação da Nota A no Tesouro Nacional. O orçamento estadual aprovado para 2025 é da ordem de R$ 30 bilhões. Robusto para um estado pequeno como o Espírito Santo.
Isso significa que o governo já entrou em 2025 com uma programação grande de investimentos em obras e serviços para o biênio 2025/2026. A caneta do governador Casagrande fica cheia até abril de 2026.
Governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), durante entrega de nova sede administrativa e helicóptero para o Notaer
Governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), durante entrega de nova sede administrativa e helicóptero para o Notaer Crédito: Governo do ES
Daí em diante, se ele sair para disputar o Senado da República em 2026, o vice-governador Ricardo Ferraço assume a governadoria. Ou seja, é o mesmo grupo político agora formado.
Podem haver defecções lá na frente? Claro que podem. São as nuvens da política. Mas até o momento das convenções partidárias, em meados de 2026, o patrimônio de verba & voto do grupo é poderoso.
A composição de candidaturas ajudará a soldar o grupo ao longo do caminho. São seis posições majoritárias relevantes: governador; vice-governador; dois senadores e mais dois suplentes de senadores. E mais dez posições proporcionais para deputados federais. É possível acomodar egos e ambições políticas.
Mas aí vem a força da oposição, também já colocando o bloco na rua. Outro grupo político está em formação inicial. Com força político-eleitoral que não pode ser subestimada.
Refiro-me às candidaturas iniciais e potenciais de Lorenzo Pazolini (Republicanos) e de Paulo Hartung (deverá se filiar ao PSD em abril). Nesse conjunto também estão Erick Musso (Republicanos); Aridelmo Teixeira (Novo) e Evair de Melo (hoje no PP).
Restará ainda saber se o PP, ainda navegando com ambiguidade, vai compor esse grupo político. As costuras e articulações do grupo estão em curso. Também com bom patrimônio de verba & voto.
A novidade política que está emergindo daí é que a disputa, em 2026, deverá ser entre blocos políticos, e não entre líderes isolados. Não será mais Casagrande “versus” Hartung, embora seja óbvio que essa competição estará nas linhas e entrelinhas.
Será entre duas grandes tentativas de coalizão. Eis o busílis das eleições de 2026.
Esse parece ser o formato da transição política em curso no ES. Neste momento, formam-se grupos que “misturam” os caciques mais antigos (Hartung, Casagrande, Ricardo Ferraço e Vidigal) e as lideranças emergentes (Pazolini, Arnaldinho, Euclério, Evair, Marcelo Santos, Da Vitoria, Erick e Aridelmo).
Qual será a resultante? Não sabemos. Nem com bola de cristal.
Mas o que sabemos, pelas pesquisas e pelos resultados das eleições de 2024, é que duas tendências estão em formação.
No plano doutrinário e do zeitgeist, a formação crescente de uma cosmovisão liberal social no Brasil. E no plano político-eleitoral a predominância da opção pela centro-direita nas razões de votos.
Qual será o bloco político que vai conseguir se alinhar política e eleitoralmente ao zeitgeist e a opção pela centro-direita?
Para além dos extremos. E para perto da boa gestão, com boas entregas.

Antônio Carlos de Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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