Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Política

Para além da fulanização das pré-candidaturas de 2026 no ES

As candidaturas já estão em intensos movimentos nos bastidores e nos eventos Estado afora. A julgar pelas pesquisas, o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) e o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) são os mais cotados na disputa pela governadoria

Publicado em 28 de Junho de 2025 às 03:00

Públicado em 

28 jun 2025 às 03:00
Antônio Carlos de Medeiros

Colunista

Antônio Carlos de Medeiros

O que os capixabas esperam para as eleições de 2026? Algumas pesquisas qualitativas já apontam expectativas e tendências, mesmo em contexto de rejeição aos políticos e descrédito da política.
O que poderia até resultar em alienação eleitoral (brancos, nulos e abstenções) ainda maior do que as de 2018 e 2022. Por isso, é preciso ir além da fulanização.
As candidaturas já estão em intensos movimentos nos bastidores e nos eventos pelo Estado afora. A julgar pelas pesquisas, o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) e o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) são os mais cotados na disputa pela governadoria.
Para o senado da República, o governador Renato Casagrande (PSB) é o mais cotado para a primeira vaga (são duas). Para a segunda vaga, Josias Da Vitória (PP), Evair de Melo (PP) e Paulo Hartung (PSD) seriam os mais cotados.
Já para deputado federal (10 vagas) estima-se a possibilidade de número significativo de reeleições. São os efeitos das emendas impositivas que os deputados têm para investir em suas bases eleitorais nos municípios. Portanto, serão eleições difíceis e muito competitivas para os novos “entrantes”.
E daí? Daí que é também preciso olhar para as macrotendências das eleições de 2026. E para as bases de um enfoque político necessário em função de novas prioridades já conhecidas.
Basta citar apenas as macrotendências demográfica; econômico-financeira; de insegurança urbana; e transição ecológica.
Cuidar do problema do envelhecimento da população e do aumento das despesas com a previdência. Cuidar do problema da mudança do perfil da mão de obra e do trabalho. Garantir a continuidade da Nota A no Tesouro Nacional. Cuidar da continuidade da mudança do perfil da economia capixaba, com a sua nacionalização e internacionalização. E assim por diante.
A macrotendência política mais evidente é a opção do eleitorado pela centro-direita. Em torno de 55% do eleitorado capixaba, a conferir nas próximas pesquisas.
O crescimento do centro do espectro político, fenômeno nacional e regional, aponta para o declínio da polarização política, como demonstrado em 2024.
O vice-governador Ricardo Ferraço e o prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini
O vice-governador Ricardo Ferraço e o prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini Crédito: Ricardo Medeiros e TV Gazeta/Reprodução
Ao mesmo tempo, há que se considerar uma peculiaridade capixaba. Várias políticas públicas já viraram políticas de Estado, e não de governo.
Agendas de Estado. É um legado (peculiar) de 24 anos de continuidade das agendas. Nota A no fiscalDiminuição dos homicídios na política de segurança. Aumento da expectativa de vida na saúde. Avanços nos índices educacionais e aumento do ensino integral.
Aliás, o legado de Agenda de Estado é o busílis das eleições capixabas de 2026.
Dois grupos políticos poderosos vão para a disputa na arena política, como se sabe.
De um lado, sob a liderança de Renato Casagrande, a candidatura de Ricardo Ferraço ao governo. No contexto de um movimento político orquestrado e poderoso.
Do outro lado, sob a liderança de Lorenzo Pazolini, com uma aliança politicamente relevante com Paulo Hartung, a própria candidatura de Pazolini. Não se pode dizer ainda que é um movimento político orquestrado e poderoso. Mas pode vir a ser.
Como fiel da balança e tertius potencial, a federação partidária entre o PP de Josias da Vitória e o União Brasil de Marcelo Santos. Também em processo de acumular forças políticas.
A preços de hoje, percebe-se que os dois grupos políticos estão “pintados para a guerra”.
Mais para a frente, é provável que eles terão que “combinar com o beque” – isto é, o eleitor – se o beque quer mesmo guerra ou se prefere resultados e entregas visíveis e convincentes.
Se permanecer coeso, o movimento político de Casagrande e Ricardo é poderoso. Agora em seu terceiro mandato, pode-se dizer que Renato Casagrande chegou ao Poder. Uma coisa é chegar ao governo, outra coisa é chegar ao poder. O seu desafio é articular a coesão do movimento. Se conseguir, terá pegada para chegar no mínimo ao segundo turno das eleições.
Esse, grosso modo, parece ser o equilíbrio das três forças políticas que deverão estar na arena política em 2026. Dois grupos políticos e uma terceira força como fiel da balança.
Estamos falando, no Espírito Santo, de uma transição política que poderá estender-se até 2030. As pesquisas qualitativas não apontam ainda uma tendência relevante de considerar o “fator geracional” como relevante. O povo quer é entregas.
Vêm daí as dúvidas socráticas que nem com bola de cristal se pode responder a esta altura do campeonato.
Na conquista do espectro de centro-direita, o que vai diferenciar Ricardo Ferraço de Lorenzo Pazolini? Pazolini vai dialogar também com a extrema direita bolsonarista? Ricardo Ferraço vai dialogar com a centro-esquerda?
Se Paulo Hartung eventualmente decidir lá na frente disputar a segunda vaga ao senado da República, teríamos aí a continuidade de uma “longue durée” dos últimos 24 anos: Paulo Hartung, Renato Casagrande e Ricardo Ferraço nas três posições majoritárias.
Lorenzo Pazolini poderia cambiar para uma candidatura à segunda vaga do Senado. É uma hipótese considerada nos bastidores. Neste caso, Paulo Hartung poderia ou cambiar para uma candidatura à governadoria, ou simplesmente não ser candidato.
Tudo somado, o busílis é realmente o legado. Agora desafiado por algumas mudanças nas circunstâncias. A começar pela demografia. Passado pelo fim, em 2033, dos incentivos fiscais que sustentam o perfil econômico regional.
Desafiado, também, por duas variáveis ainda hipotéticas. Primeiro, uma possível federação partidária entre o Republicanos de Pazolini e o MDB de Ricardo Ferraço.
Segundo, uma eventual candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à presidência da República. Com eventual influência na movimentação do tabuleiro político no Espírito Santo.
Eleições tensas e complexas.

Antônio Carlos de Medeiros

E pos-doutor em Ciencia Politica pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaco, aos sabados, traz reflexoes sobre a politica e a economia e aponta os possiveis caminhos para avancos possiveis nessas areas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem BBC Brasil
Prisão de artista por esculturas feitas há 15 anos revela novos extremos da censura na China
Imagem BBC Brasil
Trump diz que vai estender cessar-fogo com Irã e manter bloqueio no Estreito de Ormuz
Segundo a Guarda Civil Municipal, o homem é suspeito de arrombar o estabelecimento e levar um notebook, um celular, máquinas de cartão e acessórios eletrônicos.
Dupla é detida após furto a loja no centro de Linhares

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados