Para além da fulanização das pré-candidaturas de 2026 no ES
Política
Para além da fulanização das pré-candidaturas de 2026 no ES
As candidaturas já estão em intensos movimentos nos bastidores e nos eventos Estado afora. A julgar pelas pesquisas, o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) e o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) são os mais cotados na disputa pela governadoria
O que os capixabas esperam para as eleições de 2026? Algumas pesquisas qualitativas já apontam expectativas e tendências, mesmo em contexto de rejeição aos políticos e descrédito da política.
O que poderia até resultar em alienação eleitoral (brancos, nulos e abstenções) ainda maior do que as de 2018 e 2022. Por isso, é preciso ir além da fulanização.
As candidaturas já estão em intensos movimentos nos bastidores e nos eventos pelo Estado afora. A julgar pelas pesquisas, o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) e o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) são os mais cotados na disputa pela governadoria.
Para o senado da República, o governador Renato Casagrande (PSB) é o mais cotado para a primeira vaga (são duas). Para a segunda vaga, Josias Da Vitória (PP), Evair de Melo (PP) e Paulo Hartung (PSD) seriam os mais cotados.
Já para deputado federal (10 vagas) estima-se a possibilidade de número significativo de reeleições. São os efeitos das emendas impositivas que os deputados têm para investir em suas bases eleitorais nos municípios. Portanto, serão eleições difíceis e muito competitivas para os novos “entrantes”.
E daí? Daí que é também preciso olhar para as macrotendências das eleições de 2026. E para as bases de um enfoque político necessário em função de novas prioridades já conhecidas.
Basta citar apenas as macrotendências demográfica; econômico-financeira; de insegurança urbana; e transição ecológica.
Cuidar do problema do envelhecimento da população e do aumento das despesas com a previdência. Cuidar do problema da mudança do perfil da mão de obra e do trabalho. Garantir a continuidade da Nota A no Tesouro Nacional. Cuidar da continuidade da mudança do perfil da economia capixaba, com a sua nacionalização e internacionalização. E assim por diante.
A macrotendência política mais evidente é a opção do eleitorado pela centro-direita. Em torno de 55% do eleitorado capixaba, a conferir nas próximas pesquisas.
O crescimento do centro do espectro político, fenômeno nacional e regional, aponta para o declínio da polarização política, como demonstrado em 2024.
O vice-governador Ricardo Ferraço e o prefeito de Vitória Lorenzo PazoliniCrédito: Ricardo Medeiros e TV Gazeta/Reprodução
Ao mesmo tempo, há que se considerar uma peculiaridade capixaba. Várias políticas públicas já viraram políticas de Estado, e não de governo.
Aliás, o legado de Agenda de Estado é o busílis das eleições capixabas de 2026.
Dois grupos políticos poderosos vão para a disputa na arena política, como se sabe.
De um lado, sob a liderança de Renato Casagrande, a candidatura de Ricardo Ferraço ao governo. No contexto de um movimento político orquestrado e poderoso.
Do outro lado, sob a liderança de Lorenzo Pazolini, com uma aliança politicamente relevante com Paulo Hartung, a própria candidatura de Pazolini. Não se pode dizer ainda que é um movimento político orquestrado e poderoso. Mas pode vir a ser.
A preços de hoje, percebe-se que os dois grupos políticos estão “pintados para a guerra”.
Mais para a frente, é provável que eles terão que “combinar com o beque” – isto é, o eleitor – se o beque quer mesmo guerra ou se prefere resultados e entregas visíveis e convincentes.
Se permanecer coeso, o movimento político de Casagrande e Ricardo é poderoso. Agora em seu terceiro mandato, pode-se dizer que Renato Casagrande chegou ao Poder. Uma coisa é chegar ao governo, outra coisa é chegar ao poder. O seu desafio é articular a coesão do movimento. Se conseguir, terá pegada para chegar no mínimo ao segundo turno das eleições.
Esse, grosso modo, parece ser o equilíbrio das três forças políticas que deverão estar na arena política em 2026. Dois grupos políticos e uma terceira força como fiel da balança.
Estamos falando, no Espírito Santo, de uma transição política que poderá estender-se até 2030. As pesquisas qualitativas não apontam ainda uma tendência relevante de considerar o “fator geracional” como relevante. O povo quer é entregas.
Vêm daí as dúvidas socráticas que nem com bola de cristal se pode responder a esta altura do campeonato.
Na conquista do espectro de centro-direita, o que vai diferenciar Ricardo Ferraço de Lorenzo Pazolini? Pazolini vai dialogar também com a extrema direita bolsonarista? Ricardo Ferraço vai dialogar com a centro-esquerda?
Se Paulo Hartung eventualmente decidir lá na frente disputar a segunda vaga ao senado da República, teríamos aí a continuidade de uma “longue durée” dos últimos 24 anos: Paulo Hartung, Renato Casagrande e Ricardo Ferraço nas três posições majoritárias.
Lorenzo Pazolini poderia cambiar para uma candidatura à segunda vaga do Senado. É uma hipótese considerada nos bastidores. Neste caso, Paulo Hartung poderia ou cambiar para uma candidatura à governadoria, ou simplesmente não ser candidato.
Tudo somado, o busílis é realmente o legado. Agora desafiado por algumas mudanças nas circunstâncias. A começar pela demografia. Passado pelo fim, em 2033, dos incentivos fiscais que sustentam o perfil econômico regional.
Desafiado, também, por duas variáveis ainda hipotéticas. Primeiro, uma possível federação partidária entre o Republicanos de Pazolini e o MDB de Ricardo Ferraço.
Segundo, uma eventual candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à presidência da República. Com eventual influência na movimentação do tabuleiro político no Espírito Santo.
Eleições tensas e complexas.
Antônio Carlos de Medeiros
E pos-doutor em Ciencia Politica pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaco, aos sabados, traz reflexoes sobre a politica e a economia e aponta os possiveis caminhos para avancos possiveis nessas areas