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Política

Eleições de 2026 no Espírito Santo poderão ter protagonismo de tertius

Josias Da Vitória e Marcelo Santos ganharam mais musculatura político-eleitoral com a federação União Progressistas, perto de ser aprovada no TSE

Publicado em 31 de Maio de 2025 às 02:00

Públicado em 

31 mai 2025 às 02:00
Antônio Carlos de Medeiros

Colunista

Antônio Carlos de Medeiros

Na estrada para 2026, Marcelo Santos (União Brasil) e Josias da Vitória (PP) poderão ter papel de "tertius", uma terceira via, nas eleições estaduais de 2026 no Espírito Santo.
Atuando na “fronteira” entre o grupo político liderado pelo governador Renato Casagrande (PSB) e o grupo político liderado hoje pelo prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), Marcelo e Da Vitória ganharam mais musculatura político-eleitoral com a federação União Progressistas, perto de ser aprovada no TSE.
Uma federação poderosa no Brasil, com fundo de R$ 1 bilhão e com 109 deputados federais e 14 senadores. No Espírito Santo, as duas siglas partidárias somadas elegeram 37 prefeitos em 2024. É um patrimônio político de valor.
Com tantas moedas de votos potenciais, e com as lideranças políticas relevantes de Marcelo e Da Vitória, a federação vai para 2026 mirando ter protagonismo e mais espaço político.
Como corolário, Marcelo Santos e/ou Da Vitória poderão também disputar eleições majoritárias no ES.
Josias Da Vitória, deputado federal, e Marcelo Santos, deputado estadual
Josias Da Vitória, deputado federal, e Marcelo Santos, deputado estadual Crédito: Rodrigo Gavini/Sindiex/Divulgação e Lucas S. Costa/Ales
Já se colocam no tabuleiro político como tertius.
No Brasil, o presidente da federação, Antônio Rueda, diz que ela tem tamanho para estar na chapa presidencial. O senador Ciro Nogueira (PP) mira uma candidatura à vice-presidência da República.
No Espírito Santo, seu presidente Josias da Vitória reafirma apoio ao projeto de Casagrande, mas não crava apoio indiscutível à candidatura de Ricardo Ferraço (MDB) a governador. E diz mirar a segunda vaga ao Senado ou a governadoria (no caso de Ferraço “não se viabilizar”).
Por sua vez, Marcelo Santos se declara pré-candidato a deputado federal no grupo político liderado por Casagrande – mas não descartaria uma candidatura majoritária.
Concretamente, ambos terão peso no xadrez do tabuleiro político. Por enquanto, declaram apoio à liderança de Renato Casagrande, mas parecem seguir uma das máximas de Tancredo Neves: “Só examine a espuma depois que as ondas pararem de bater”.
A trajetória de Marcelo é ascendente. Mudou de estatura e patamar atuando já em seu segundo mandato como chefe de poder: presidente da Assembleia Legislativa do ES (Ales). Para além da sua base eleitoral em Cariacica, conquistou apoios de lideranças relevantes pelo estado afora.
Trabalha para se eleger para a Câmara Federal. Mas não parece que rejeitaria uma candidatura majoritária se o cavalo passar selado, com eventual mudança nas nuvens e circunstâncias políticas. Marcelo é conhecido como cumpridor de acordos. E também como um ator político hábil, astuto e matreiro.
Já a trajetória de Josias da Vitória também é ascendente. Foi deputado estadual por três mandatos e está no segundo mandato como deputado federal, sendo líder e coordenador da bancada capixaba.
Suas bases eleitorais estão espalhadas por todo o Estado. Com maior peso em dez deles: Colatina, Aracruz, Guarapari, Pancas, Vitória, São Mateus, Barra de São Francisco, Linhares, Águia Branca e Itapemirim. Mas bem votado em pelo menos 50 municípios. Teve 71.779 votos nas eleições de 2022.
Como Marcelo, Da Vitória é político hábil, astuto e matreiro. Tem coragem política. Hoje, tem aliados no secretariado do governo Casagrande e também no governo Pazolini. A vice-prefeita de Vitória, Cris Samorini, é do PP.
É certo que muita água ainda vai passar debaixo da ponte até 2026. Temos ainda um longo bater de ondas. A espuma só deverá  ser examinada com descortínio lá pelas águas de março.
Mas o fato é que os tertius estão no jogo, na fronteira de uma disputa eleitoral complexa e acirrada entre dois grupos políticos poderosos.

Antônio Carlos de Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços nessas áreas

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