Amanhã, dia 25 de outubro, é o Dia D das eleições para a presidência da República e para a governadoria do Espírito Santo. Disputas acirradas.
No Espírito Santo, Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Ricardo Ferraço (MDB) também disputam um segundo turno acirrado. Amanhã já saberemos o resultado.
No dia seguinte, na segunda-feira, 26 de outubro, curada a ressaca cívica e eleitoral da campanha presidencial, o presidente eleito ou reeleito vai precisar começar logo a pensar no que vai dizer aos brasileiros na hora da diplomação em 18 de dezembro e, depois, na hora da posse em 5 de janeiro de 2027.
Mostrar que não vai trilhar o caminho do estelionato eleitoral e ancorar as expectativas políticas e econômicas. O anúncio será uma demonstração simbólica de força e liderança.
O cenário nacional é de queda do crescimento, aumento do desemprego, continuidade dos juros altos, persistência da inflação acima da meta, e reprodução do endividamento das empresas, das famílias e do governo.
Diante desse cenário nacional, também aqui no Espírito Santo o governador eleito vai precisar dizer aos capixabas, tanto na diplomação em 18 de dezembro quanto na posse em 6 de janeiro de 2027, como vai lidar com um cenário nacional adverso que tem óbvias repercussões no Estado.
O nome do jogo é ancoragem das expectativas.
No caso local, há uma peculiaridade que precisa ser abordada pelo governador eleito. Trata-se do problema do fim dos incentivos fiscais em 2033, que tem repercussão no modelo de desenvolvimento do Estado.
Esse tema já vem sendo tratado pelo governo estadual, pelas federações empresariais e pelas lideranças políticas e empresariais capixabas. Medidas práticas já estão em curso. Trata-se de pactuar a sua evolução diante dos resultados das eleições presidenciais, das eleições no Congresso Nacional, e das eleições estaduais.
A outra peculiaridade da maior relevância no ES é o fato de que as políticas públicas de governo, ao longo dos últimos 24 anos, tornaram-se políticas de Estado. Resultantes de pactuação democrática com a sociedade civil organizada.
Vale mencionar.
No Espírito Santo, a gestão da economia tornou-se uma agenda de Estado, combinando incentivos e instrumentos regionais e federais. Resultou na mudança gradual do perfil da economia estadual. Avançou na direção da diversificação e da inovação. Para superar a condição de plataforma de exportação de commodities. Impulsionando o modelo de cadeias produtivas e o avanço da logística. Com alianças com o capital regional, capital nacional e capital internacional. Modelos tripartite de atração de investimentos.
Na educação, o Espírito Santo também desenhou e implementou ao longo dos anos uma política pública de Estado. A concepção da gestão em rede da educação. Na prática, é um pacto pela educação em mutação constante. Ênfase nas capacidades cognitivas, nas competências socioemocionais e na especialização. Educação integral. E especialização de mão de obra. É, óbvio, um processo permanente de mutação e modernização – como em toda política pública. Os índices de avaliação da educação evoluíram e são positivos.
Na segurança, também o Estado avançou para consolidar uma política de estado. As premissas do “Estado Presente” e da “Ocupação Social”. Os índices também evoluíram para melhorar. Precisam continuar evoluindo. É um processo. Segurança, sabemos, não é só um problema da polícia. Foram envolvidas outras instituições e a sociedade. Um processo, em curso, da cultura de lei & ordem.
Na saúde, a política ganhou longevidade: política de Estado. Lidando com a mudança do perfil da demanda por saúde no ES. As doenças crônicas passaram a representar a maior demanda. Leva o foco da saúde para a atenção primária: 80% na atenção primária; 15% na ambulatorial; e 5% na hospitalar. Ao longo do tempo, é claro, esses percentuais se reajustam. Há problemas de financiamento (federal/estadual) e novas opções de gestão, com o modelo de regionalização e de repactuação federativa. Inovações foram implantadas, como a telemedicina. E a cultura da prevenção.
A sociedade civil organizada e as elites sociais, políticas e econômicas, fazem parte dessa construção coletiva.
A expectativa é a de que o governador eleito ou reeleito (Lorenzo Pazolini ou Ricardo Ferraço) mantenham, ampliem e aperfeiçoem o processo permanente de evoluir com políticas de Estado.
Os governos passam. As políticas públicas ficam e continuam.
Desejo boa sorte aos candidatos à presidência da República (Flavio Bolsonaro e Lula) e aos candidatos à governadoria do Espírito Santo (Lorenzo Pazolini e Ricardo Ferraço).
A democracia em movimento.