Uma “onda azul” chegou à maioria dos estados brasileiros. Gerada a partir das manifestações de 2013 e configurada a partir de 2018 com a eleições de Jair Bolsonaro, a onda conservadora mostrou agora que será longa.
Em 2002 o Brasil teve a “onda vermelha”, com Lula. Agora é a onda azul, com Flavio Bolsonaro. Apoiado pelo antipetismo crescente e estrutural e pelo mundo digital do Partido Digital Bolsonarista, para além do PL.
A onda conservadora será longa. O bolsonarismo nacionalizou a campanha de governadores e impulsionou a polarização ao limite. O centro político foi mais uma vez “conquistado” pelo bolsonarismo.
A onda azul conquistou os governos dos maiores estados. São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná. E pode conquistar ainda o Rio de Janeiro.
O PL de Flavio Bolsonaro elegeu 28 senadores e 121 deputados federais. Terá mais autonomia em relação ao centrão no Congresso. Vai liderar o projeto de impeachment de ministros do STF. A estimativa é a de que 34 novos senadores, somados a outros 17 que permanecem (total de 51), querem impulsionar o impeachment. E a reforma do poder judiciário.
As eleições já estão configurando uma nova correlação de forças no país. No Congresso e nos governos estaduais. Mas, sobretudo, na sociedade. Um novo pacto de poder está a caminho. Se vai ser um novo ciclo autoritário ou um novo ciclo democrático, ainda não sabemos.
Com vantagem de 2,3 milhões de votos sobre Lula no primeiro turno, Flavio Bolsonaro vai para o segundo turno em ascensão e com expectativa e perspectiva de poder. Vai agregar lideranças nos estados e impulsionar mais ainda o antipetismo estrutural de metade do eleitorado do Brasil.
Lula já deu sinais de que vai para o segundo turno “pintado para a guerra”. Vamos acompanhar. Segundo turno, diz a tradição da política, é outra eleição.
No Espírito Santo, também a onda azul conservadora foi impulsionada. Elegeu o novo senador Evair de Melo (Republicanos) com 982.978s votos (24,39%), na segunda vaga. Votação próxima a do novo senador Renato Casagrande (PSB), eleito na primeira vaga – 995.361 votos (24,70%).
Elegeu também o novo deputado federal Lucas Polese (PL), com recorde histórico de mais de 400 mil votos. E o também novo deputado federal Lucas Stein Casagrande (PL), na esteira de Lucas Polese. Já para a Assembleia Legislativa, o PL elegeu seis deputados estaduais.
A mesma onda azul conservadora foi importante para impulsionar a virada nos últimos dias de Lorenzo Pazolini (Republicanos). Ele teve 15,59% pontos na frente do governador Ricardo Ferraço (MDB). Uma diferença de 329.237 votos.
Pazolini teve 49,65% dos votos e Ricardo teve 34,06%. Deu segundo turno, considerando os votos dos candidatos Helder Salomão (PT), Breno Barcelos (Missão) e Rafael Demuner (UP).
Além da onda azul, Pazolini reforçou o seu discurso e falas com o foco numa “virada de geração”, com o argumento do etarismo e da renovação de lideranças políticas. Agora, vai para o segundo turno em ascensão e com perspectiva de poder.
Ricardo Ferraço (MDB) estacionou com 34,06% no segundo lugar, depois de liderar a campanha desde o início, até os últimos dez ou quinze dias, aproximadamente.
Experiente, certamente ele sabe que o segundo turno é uma nova eleição. Deve, como é de praxe, ajustar a campanha para uma disputa acirrada. Aliás, desde o início a maioria dos analistas registrava que esta seria uma disputa acirrada. E foi. E será.
Eleições em aberto. Vamos acompanhar.