Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Antônio Carlos de Medeiros

O desafio institucional e o desafio fiscal do presidente eleito em 25 de outubro

Para sair do “modo alarmista”, o presidente eleito, Flavio Bolsonaro ou Lula, vai precisar trabalhar na mudança das expectativas já a partir da diplomação

Publicado em 17 de Outubro de 2026 às 04:00

Públicado em 

17 out 2026 às 04:00
Antônio Carlos de Medeiros

Colunista

Antônio Carlos de Medeiros Antônio Carlos de Medeiros

No dia seguinte, dia 26 de outubro, curada a ressaca cívica e eleitoral da campanha presidencial, o presidente eleito ou reeleito vai ter que começar logo a pensar o que vai dizer aos brasileiros na hora da diplomação em 18 de dezembro e, depois, na hora da posse em 5 de janeiro de 2027.


O cenário para 2027 é de queda do crescimento, aumento do desemprego, continuidade dos juros altos, persistência de inflação acima da meta, e reprodução do endividamento das empresas, das famílias e do governo.


Para sair do “modo alarmista”, o presidente eleito, Flavio Bolsonaro ou Lula, vai precisar trabalhar na mudança das expectativas já a partir da diplomação e depois, com mais detalhes, na posse. Na economia e na política, como sabemos, as expectativas importam muito.


Veja Também 

Imagem de destaque

O Espírito Santo no Senado da República em crise de poder

Lula e Flávio Bolsonaro

O centro político foi mais uma vez “conquistado” pelo bolsonarismo

Imagem de destaque

Chegou o Dia D das eleições e a hora de entender melhor para onde vamos

Portanto, será preciso ancorar as expectativas institucionais e fiscais já no início do jogo. Quanto ao desafio institucional, anunciar um governo de coabitação com o Congresso e um ministério formado por uma frente ampla – sem hegemonia do PL (se for Flavio) ou sem hegemonia do PT (se for Lula).


Quanto ao desafio fiscal, todos sabemos que o ideal é um ajuste de 3% do PIB. Mas para ser crível e executado, a mediana das propostas na mesa sugere 2% do PIB em até quatro anos. Tão importante quanto o tamanho do ajuste é a credibilidade e a confiança do mercado político e do mercado financeiro de que vai ser realmente aprovado pelo Congresso e executado.


O nome do jogo é ancoragem das expectativas. Para atravessar o rubicão em 2027. Anunciar a agenda logo no início do jogo e criar compromisso e consenso com o Congresso, sob os olhos atentos dos brasileiros.


Não é pouca coisa o que tem acontecido no país nos últimos dias. Os brasileiros foram às ruas em massa, por iniciativa espontânea de jovens estudantes. E vão às ruas outra vez a partir deste sábado e durante a próxima semana, nas vésperas das eleições do dia 25, domingo. Tanto o eleitorado de Lula quanto o eleitorado de Flavio voltaram às ruas.


Pensemos bem no significado. É eleitoral? Sim, claro. Mas é também um aviso tanto aos senhores candidatos presidenciais, quanto às Suas Excelências os políticos eleitos ou reeleitos nestas eleições de 2026. Algo do tipo “queremos mudanças concretas, bem-estar e futuro”. O outro lado da moeda pode ser desobediência civil.


No fiscal, a modelagem das propostas críveis está na mesa, na trilha dos 2% do PIB. Anúncio de agenda crível significa ancorar expectativas e repercutir nos juros e no câmbio.

Lula e Flávio Bolsonaro Reprodução

Felipe Salto e Josué Pelegrini propuseram ajuste de 2% do PIB em 4 anos. Sendo que um terço seria de elevação da receita e dois terços via redução de gastos. Na parte das receitas, a proposta deles é de redução linear de 23,5% nos gastos tributário com desonerações e benefícios fiscais e subsídios.


No lado dos gastos, medidas importantes são a desvinculação do benefício previdenciário e de outros benefícios sociais do salário mínimo. E que os gastos obrigatórios com saúde educação sejam indexados pelo menos indexador do arcabouço fiscal – sugerem Salto e Pelegrini.


Resta claro que a governança do país em 2027 dependerá de uma nova agenda de reformas e ajustes institucionais e fiscais. Os problemas e soluções críveis estão todos mapeados.


José Roberto Mendonça de Barros foi cirúrgico. Para ele, essa eleição é uma eleição de transição para 2030. Mas, diz ele, “não dá para esperar”.


E conclui: “No ano que vem, vai ter de acontecer alguma coisa, senão vamos ver coisas muito mais complicadas. Essa combinação de deterioração fiscal, deterioração da governança e investimento e produtividade que não crescem vai levar a uma piora para todos os lados”.


É uma alerta para os dois candidatos à Presidência da República, Flavio Bolsonaro e Lula.

Antônio Carlos de Medeiros

Antônio Carlos de Medeiros Antônio Carlos de Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços nessas áreas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
RAD: a nova ferramenta para proteger créditos fiscais
Trecho duplicado da BR 101 no Espírito Santo
Os milhões economizados pelos usuários no novo contrato da BR 101 no ES
Imagem de destaque
Horóscopo do dia 17/10/2026: desafios poderão trazer oportunidades de amadurecimento para os signos

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados