Nós brasileiros vamos às urnas neste domingo, 4 de outubro, em cenário de derretimento dos Três Poderes da República – Judiciário, Legislativo e Executivo. No limiar de uma crise de Estado.
São os estertores, agora mais fortes, do colapso do contrato social da Constituição de 1988, 38 anos depois. Cansados, os brasileiros vão às urnas em clima de profunda desesperança.
Ao mesmo tempo, enxergam as previsões factuais de que 2027 será um ano muito difícil na economia, na política e nas condições sociais. Menos PIB, mais carestia, menos oportunidades de trabalho e renda. Mais desesperança.
No limite da desesperança, mais do que nunca anseiam por renovação, já às portas do risco de anomia social e do caminho da desobediência civil.
Esse é o grito contido que vai às urnas. Precisamos compreender que o país chegou ao limite e que a República está sob ameaça. O regime precisa buscar forças para se regenerar, ouvindo o ruído (ainda) contido das ruas.
A regeneração tem nome. É a inauguração de uma nova agenda de restauração do Estado brasileiro. Com um novo contrato social. Na busca de conexão entre o poder político e a sociedade e o espírito da época no Brasil.
Uma ordem de mudanças constitucionais, infraconstitucionais e microeconômicas. O espírito da época é o espírito das mudanças e das reformas políticas e institucionais.
O próximo presidente do Brasil poderá perder força e poder muito cedo se não anunciar os termos de uma agenda de mudanças a partir da sua diplomação ainda em 2026. É fundamental um choque de confiança à sociedade e ao mercado político e econômico.
Tão importante quanto as eleições presidenciais serão as eleições dos novos senadores da República. São eles que vão eleger o novo presidente do Senado. Que é também o presidente do Congresso Nacional. E o terceiro na linha sucessória da Presidência da República, atrás apenas do vice-presidente e do presidente da Câmara dos Deputados.
Será o novo senado, com a renovação de 54 dos seus 81 membros, que poderá dar início à reforma mais urgente já no limiar de 2027: a reforma do judiciário. A primeira das reformas políticas essenciais.
Sem o ímpeto de uma agenda de mudanças e reformas, respaldado pelas urnas e articulado com o Congresso Nacional, com noção acurada de “timing político”, o novo presidente poderá perder condições de governar o país.
Provavelmente eleito com minoria dos votos dos brasileiros, o presidente terá baixa legitimidade. Sua força terá que advir da conquista do capital político e simbólico de uma Agenda de mudanças e reformas.
Sem tais iniciativas de agendas, o Brasil poderá exacerbar ainda mais um quadro já quase estrutural de crise política, crise econômica e anomia social. Vale dizer, em última instância, de crise de Estado. Para além de figuras de retórica, todos nós sabemos que é disso que se trata.
É preciso sair dessa armadilha. É preciso pensar fora da caixa. É preciso, já em janeiro e na inauguração do novo Congresso no início de fevereiro, apontar um rumo para o Brasil. O brasileiro quer rumo, quer voltar a acreditar no Brasil: como projeto de nação e como lugar para viver.
É preciso amalgamar uma forte atitude política que venha a forjar a possibilidade de um ambiente de mudanças. Essa atitude política será tão mais forte quanto mais seja respaldada pela articulação de um novo bloco de poder.
Uma nova coalizão politicamente dominante respaldada pelas urnas em conexão com a sociedade civil organizada. Uma conexão que venha a resultar em novo pacto de poder. É o que o Brasil das ruas procura: o funcionamento dos Três Poderes.
Desejo bom voto para todos neste domingo 4 de outubro. No meio do cansaço e da desesperança, a resistência da democracia.