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Eleições 2020

Interregno político em Cachoeiro impulsiona uma transição nestas eleições

Uma transição pactuada permitiria a criação de força política para melhorar a qualidade da polarização da cidade e a recuperação do seu protagonismo. É preciso capacidade de articulação para um projeto de desenvolvimento regional sustentável

Publicado em 18 de Julho de 2020 às 05:00

Públicado em 

18 jul 2020 às 05:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Cachoeiro de Itapemirim é a maior cidade da região Sul do Estado
Cachoeiro ainda polariza 20 municípios do Sul, mas perdeu protagonismo no concerto estadual Crédito: Divulgação/PMCI
Em Cachoeiro de Itapemirim, o velho está morrendo e o novo não conseguiu nascer, parodiando Gramsci. Há um interregno político que impulsiona uma transição política. As eleições municipais de novembro podem apontar os caminhos desta transição.
Se o novo dialogar com o velho é que poderá ser possível melhorar a qualidade da pactuação política e a qualidade do seu papel de polo regional. O bairrismo, a qualidade da educação local e a condição geoterritorial colaboram para estas repactuações. Rubem Braga dizia que “modéstia à parte, eu sou de Cachoeiro de Itapemirim”. É notória a qualidade da educação básica e média. A cidade ainda polariza 20 municípios do Sul, mas perdeu protagonismo no concerto estadual.
Nos últimos 50 anos, três fortes lideranças predominaram no poder local até 2008: Hélio Carlos Manhães (MDB); Roberto Valadão (PMDB); e Theodorico Ferraço (Arena, PTB e DEM). Em 2008, houve um suposto corte na política, com a eleição de Carlos Casteglione (PT). Casteglione se reelegeu. Aí veio Victor Coelho (PSB), em 2016, que agora pretende ser reeleito. Entretanto, o novo ainda não nasceu. Ambiente de interregno.
A pandemia desestabilizou a gestão atual. Está criado um ambiente político de fragmentação. Com uma miríade de pré-candidaturas para ocupar o vácuo potencial: Jonas Nogueira (PL), que rompeu com o prefeito; Diego Libardi (DEM); Feyda Belo (PP); Renata Fiorio (PSD); Joana D'Arck (PT); Breno Robles (Pros); Pararro Scherer (PSC); e ainda o PSDB, o MDB e o PSL do deputado Alexandre Quintino. Quais serão as alianças?
A reeleição de Victor é considerada em risco. Surge aí o “fator Theodorico Ferraço”. O decano continua fazendo política 24 horas por dia. Ferraço é da família política das corujas: enxerga no escuro e consegue ver o que os outros não veem. Ele vai para onde? O seu movimento poderá definir a superação do interregno e a direção para uma transição pactuada. As eleições de novembro, e a repactuação, passam por ele. Theodorico é capaz de tirar a meia sem tocar no sapato.
Uma transição pactuada permitiria a criação de força política para melhorar a qualidade da polarização da cidade e a recuperação do seu protagonismo. Mirar novas oportunidades de prosperidade, se reinventando como polo regional para abranger o Sul, o Caparaó e o Leste. Tem que pensar fora da caixa, com capacidade de articulação para um projeto de desenvolvimento regional sustentável. Com interregno, isto não será possível.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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