Vila Velha ainda vive as consequências políticas, econômicas e sociais de recorrentes períodos de isolamento político. Tem ainda sérias carências nas áreas de saneamento e macrodrenagem, mobilidade urbana e segurança. Com baixa capacidade de arrecadação, dada a sua função ainda marcante de “cidade-dormitório”, o governo local ainda depende muito de investimentos estaduais e federais para lidar com seus problemas crônicos de alagamento, e com os seus “novos” problemas de mobilidade e segurança.
A antiga cidade-dormitório de Vitória, moradia e vivência tranquila dos chamados “canelas-verdes”, como eram chamados os seus habitantes, é palco de problemas e desafios. Nela, convivem, sem se dissolverem na síntese, as contradições da “cidade real” – a orla e os bairros nobres – e da “não cidade” – a cidade oculta da Região da Grande Terra Vermelha. Com problemas de inclusão social.
As eleições municipais vêm aí. Ao lado da questão do isolamento e das carências crônicas, um traço cultural ainda é marcante no município, principalmente na orla: o bairrismo. Vila Velha tem resistência a atores políticos não locais. Neucimar Fraga é uma exceção que confirma a regra – um baiano que deu certo. Max Filho, herdeiro de uma dinastia política, também confirma a regra. Agora, estará na cédula eleitoral pela quinta vez, desde 1992, quando fez a sua estreia e perdeu para Vasco Alves, um político de grande popularidade na época.
Hoje, o mercado político enxerga cinco pré-candidaturas potenciais como competitivas. Max Filho (PSDB) tem as vantagens de poder incumbente e de recall, mas tem contra ele o vento sul da rejeição e da fadiga de material. Ele teria perdido a orla. Arnaldinho Borgo (Podemos) tem crescido no papel de “anti-Max” - e pode captar votos da vontade de alternância que está presente. Hércules Silveira (MDB) e Neucimar Fraga (PSD) passam a imagem da experiência, tida hoje como trunfo eleitoral na cidade. Não parece haver espaço para “outsiders”. Especula-se que os dois poderiam atuar em aliança.
O Cel. Wagner Borges (que conversa com o Avante) pode surgir competitivo – hoje a direita representaria quase 1/3 do eleitorado. A esquerda diminuiu de tamanho na cidade. E a centro esquerda poderá ter dificuldade. Uma candidatura com perfil de centro direita tem espaço para crescer. Se tiver experiência vai valer muito: 45% dos eleitores indicam vontade de alternância com melhoria na gestão.
Diz um observador da cena política local que lá “a cadeira de prefeito queima a imagem muito rapidamente”. Os problemas da cidade são os mesmos e são estruturais. Não se resolvem sem apoio “externo” (do Estado e da União) e sem parcerias público-privadas. Como transformar uma candidatura competitiva em perspectiva de mudança e melhorias? Este parece ser enigma a ser decifrado pelos pré-candidatos.