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Eleições 2020

Na seara política, Vitória continua sendo terra de ninguém

Pesquisas mostram em torno de 30% dos eleitores com preferências políticas de direita. Outros 20% têm preferência de esquerda. E 45% a 50% são eleitores com razão de voto “não ideológica”, voltados para melhorias na cidade e nos serviços

Públicado em 

20 jun 2020 às 05:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Data: 19/03/2020 - ES - Vitória - Prefeitura de Vitória - Os efeitos do coronavírus na Grande Vitória - Editoria: Cidades - Foto: Fernando Madeira - GZ
Prefeitura de Vitória Crédito: Fernando Madeira
Politicamente, Vitória continua terra de ninguém. Este perfil se mantém desde as eleições de 1985. O eleitor é dono do seu nariz. Não segue caciques políticos. A mediana do eleitorado é de classes médias, com alta renda per capita para os padrões brasileiros. O morador de Vitória se orgulha da sua cidade. Há um sentimento de pertencimento que o torna mais exigente, como cidadão e como eleitor.
Nas eleições do final do ano, pode dar segundo turno. Pesquisas mostram em torno de 30% dos eleitores com preferências políticas de direita. Outros 20% têm preferência de esquerda. E 45% a 50% são eleitores com razão de voto “não ideológica”, voltados para melhorias na cidade e nos serviços. Devem optar por candidatos com experiência e capacidade de governar. Segurança é uma demanda marcante.
O crescimento da direita, resultante do bolsonarismo, é novidade. Desde 1988, o eleitorado de Vitória mostra uma linha de continuidade, com nuances de centro esquerda. Vitor Buaiz em 1988 (PT); Paulo Hartung em 1992 (PSDB); Luiz Paulo Vellozo Lucas em 1996 e 2000 (PSDB); João Coser em 2004 e 2008 (PT); e Luziano Rezende em 2012 e 2016 (PPS/Cidadania): foram todos de perfil de centro esquerda. E agora?
Um peso de quase 50% de eleitores “não ideológicos” torna difícil a polarização entre extremos, mesmo com o crescimento da direita. A esquerda diminuiu de tamanho. É possível que a linha histórica de convergência pelo centro possa se repetir, agora em posição mais central do espectro. Este caminho pelo centro poderia conquistar o “eleitorado de resultados”, o não ideológico.
Cinco candidaturas podem ser competitivas, a preços de hoje. Gandini (Cidadania) é competitivo, mas carrega o peso da fadiga de material de Luciano Rezende, que foi gerencialmente correto, mas não deixou uma marca. Se for garimpar na esquerda, Gandini perde espaço, pelo recall de João Coser (PT). O Cel. Nylton (NOVO), com o apoio de lideranças do Hartunguismo, tem espaço para crescer, com a sua experiência e a pauta da segurança. Lorenzo Pazolini (Republicano) é uma novidade, mas precisa mostrar que não é uma bolha política.
Tem um espaço central que pode ser ocupado por Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e/ou por Mazinho dos Anjos (PSD). Neste campo, as lideranças de Roberto Martins (REDE), Sérgio Majeski (PSB) e Sérgio Sá (PSB), agregam força política. Dependendo da configuração das alianças, esta candidatura deste espaço pode crescer. Tudo aponta para eleições em dois turnos. Sem caciques.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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