Às vésperas das convenções partidárias e dos registros das candidaturas no TRE, estão abertas as bolsas de apostas. Alianças ainda estão sendo costuradas na undécima hora. Quem vai com quem? Quem vai ficar? Quem vai mudar de direção? Começam as apostas.
Por enquanto, o que se sabe é que, no caso da governadoria, o senador Contarato (PT) retirou a candidatura em prol de uma aliança do PT com o PSB de Renato Casagrande. Durante a semana, o mercado político especulou muito sobre eventuais mudanças de rumo de Felipe Rigoni e de Erick Musso. Não há confirmação. Mas todos correm contra o relógio. É sempre assim. Saberemos logo, no início de agosto.
O que se pode afirmar, a preços de hoje, é que o traço central da disputa para a governadoria deverá ser a disputa de todos contra um. Isto é, todos contra Renato Casagrande. Para levar as eleições para o segundo turno. O governador deve apanhar muito. Aliás, já está apanhando. Começando pelo mantra do “é comunista”. Embora “démodé” dê Ibope nas redes sociais e sustenta cacofonias. É campanha na rua.
No caso da governadoria, há o favoritismo do governador Casagrande, mas não há jogo jogado. A experiência tem mostrado que eleições não se ganham de véspera. Por isso, a bolsa de apostas vai até o fim. Vai ganhar no primeiro turno? Vai ter segundo turno? Quem vai para o segundo turno?
Para o Senado, o jogo parece competitivo e embolado. Rose de Freitas (MDB), Magno Malta (PL) e Sergio Meneguelli (Republicanos) são os favoritos. Da Vitoria (PP) e Coronel Ramalho (Podemos) ainda não decidiram. Disputa parelha e prato feito para a bolsa de apostas. Todos são candidatos experientes.
Para a Câmara Federal, as apostas do mercado vão, neste momento, na direção do favoritismo das candidaturas do PP e do Republicanos. Seguidos pelas candidaturas do PSB. Estes três partidos teriam as melhores chapas. Depois, o PT. O fim das coligações proporcionais e as novas regras de distribuição das sobras, na contagem dos votos das legendas, mudaram a configuração da disputa para a Câmara Federal. O mesmo raciocínio dos efeitos das mudanças das regras vale para a disputa pelas cadeiras na Assembleia Legislativa: os candidatos vão ter que ralar mais para conseguir viabilidade eleitoral.
Para além das bolsas de apostas em torno das candidaturas e dos respectivos partidos, o mercado político observa com preocupação a questão da violência política e da intolerância. Teremos, aqui no Espírito Santo, o mesmo clima de intolerância e de violência que já se observa e assiste em nível nacional? Um clima de intolerância e violência vai fomentar mais ainda a alienação eleitoral (brancos, nulos, abstenções). Seria um efeito bumerangue nas candidaturas.
De minha parte, quanto aos rumos mais gerais da movimentação do pêndulo da política capixaba, mantenho a intuição de que o pêndulo está indo na direção de uma coalização politicamente dominante de centro-esquerda na liderança da política do Espírito Santo. A conferir.