Os desafios permanecem. O agronegócio e a indústria extrativa mineral continuam segurando a peteca dos intermitentes voos de galinha do crescimento no Brasil. Aproveitando os ventos da China e dos EUA, eles foram os grandes responsáveis pelo crescimento de 1.2% do primeiro trimestre. Mas é bom a gente ir devagar com o andor, pois o santo é de barro.
Os números trazem o chamado carregamento estatístico de 4.9% que vem de 2020. Além disso, os resultados mostram que as condições objetivas estruturais para um horizonte de crescimento sustentável não estão presentes. Para começar, a produtividade está cada vez mais presente no agronegócio e na indústria extrativa mineral, mas não se “espalhou” pelo tecido do aparelho produtivo.
O capital humano ainda deixa muito a desejar. As recentes melhorias incrementais na educação básica e média, longe de parâmetros mundiais, estagnaram ou retrocederam com a pandemia. O desemprego estrutural e o precariado cresceram. A pobreza e a desigualdade também. É também por isso que o consumo teve um desempenho pífio na formação do PIB.
Para completar, o setor de serviços, o mais importante do PIB, continua deprimido com a pandemia crônica. O abre-e-fecha destrói empregos e pequenos negócios pelo país afora. Já as reformas tributária e administrativa empacaram outra vez. Elas são fundamentais para a produtividade e o ambiente de negócios.
Mas a antecipação das eleições de 2022 impede a formação de consensos. Enquetes conduzidas no Congresso pelo Site Congresso em Foco apontam a dificuldade de formação de maiorias para aprová-las. Serão, na melhor das hipóteses, fatiadas e desidratadas.
A procrastinação da reforma administrativa impede a necessária restauração do Estado. O Leviatã é cada vez mais um polvo voltado para ele mesmo. Sem efetividade e capacidade de entrega de serviços à sociedade. As resistências à reforma administrativa são cada vez maiores e mais poderosas. Uma casta de privilegiados controla o poder e o excedente produtivo e aprofunda as desigualdades. Com apoio do lobby das corporações e do Planalto. O próprio Executivo trabalha contra o avanço da sua própria reforma.
Não se trata apenas de uma reforma do RH dos servidores federais dos três poderes. Trata-se de modernizar o serviço público brasileiro, na direção de mais eficácia, mais produtividade e menos privilégios. De superar as heranças do patrimonialismo estrutural.
De substituir o modelo burocrático do papelório e da supremacia do controle e das “igrejas” burocráticas que não conversam entre si. De substituir o império dos meios, dos processos e dos carimbos e assinaturas, pelo empreendedorismo dos fins e dos resultados.
Neste ambiente de retrocessos, será possível clima para desenvolvimento sustentável? Com a palavra, a sociedade e as suas escolhas, na direção de 2022.