O Fórum Econômico Mundial (FEM), na sua última versão, esta virtual, elegeu a desigualdade de renda como um grande desafio global a ser enfrentado, sob o risco crescente de ocorrências de rupturas e até de distúrbios indesejáveis, podendo, no limite, afetar democracias hoje estáveis. Na visão do FEM, inclusive respaldada por parte da elite do capitalismo mundial, riqueza e poder concentrados de forma crescente nas mãos de pequenas elites, em detrimento de grandes massas de populações, poderão impor sérias travas ao próprio crescimento das economias e, consequentemente, ao desenvolvimento global.
Sabemos, pela História, que toda vez que o capitalismo se defrontou com situações de fissuras e rupturas estruturais em suas bases sociais, ocorreram fenômenos carregados de surpresas ou armadilhas, com desfechos muitas vezes inesperados, a maioria deles sabidamente indesejáveis. Nessa toada de caminhar surgiram regimes como o fascismo, o nazismo e o comunismo. Geraram também grandes guerras e conflitos localizados. Hitler e Mussolini emergiram de situações de caos econômico, social e negação da política.
A História felizmente também tem nos demonstrado que a democracia, mesmo passando por movimentos pendulares, ou seja, alternando direções mais à direita ou mais à esquerda, mais Estado ou menos Estado, vez por outra de forma errática, mesmo assim, as evidências indicam que ainda se mostra como o melhor regime. Bem na linha da emblemática afirmação feita pelo grande estadista Churchill: “A democracia é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais”.
O que a História também tem nos mostrado é que quando as elites se descuidam e se descolam das massas, crescem as chances de rupturas e turbulências, e até situações de caos, bem como, por consequência, movimentos pendulares de poder. É como, por exemplo, podemos explicar movimentos que produziram um Trump nos EUA, mais à direita do pêndulo, e agora, num sentido inverso, um Biden, retornando mais ao centro, mas com nuances de esquerda, principalmente no que tange ao papel do Estado.
Na América Latina também observamos “desgaste de materiais” em modelos que vinham se mostrando exitosos. O mais surpreendente é o caso do Chile, tido e avaliado como modelo de sucesso, esculpido no liberalismo econômico de “puro sangue”, contestado agora pelas massas que se consideram excluídas do “banquete”, tendo que encontrar novos caminhos com uma nova constituição. Colômbia e Peru também já experimentam movimentos de rupturas, cujas consequências ainda não se apresentam tão previsíveis, pelo menos até o presente momento.
E o nosso Brasil, para onde vai?