Se ficássemos apenas com as boas notícias vindas da economia, o Brasil já estaria surfando na nova onda das commodities e com a perspectiva de mostrar um crescimento bem maior do que se projeta hoje. Porém, o que nos atrapalha são questões internas que nos mantêm em permanente estado de crise, sobretudo tendo origem no campo da política. Objetivamente, o macro ambiente de forma geral estaria bem mais palatável aos negócios não fossem as constantes e intempestivas, e às vezes belicosas, intervenções do governante máximo do país.
Em outras palavras, os entraves a uma retomada mais firme da economia estão mais por conta e causa de questões internas nossas do que de potenciais adversidades ou problemas do resto do mundo. Enquanto isso, o mundo exterior nos oferece lufadas de expectativas favoráveis. No entanto, estas, por razões sobejamente óbvias, internamente são neutralizadas ou contestadas pela intermitência de incertezas.
Com certeza o movimento mais recente do Banco Central, que aumentou a taxa Selic em 0,75 pontos percentuais, não se justiçaria numa perspectiva de um ambiente mais amigável. Muito menos indicativos de tendência de continuidade de incrementos posteriores. Um movimento que, mesmo que necessário, porém sempre não suficiente, tende a jogar água fria nas expectativas. De um lado ajuda a frear as expectativas em relação à inflação, mas do outro impõe obstáculos à economia real.
Por sorte, e mais uma vez, as commodities aparecem para nos ajudar. São as maiores responsáveis pela redução da pressão da instabilidade interna sobre o câmbio. Muito provavelmente, o câmbio já poderia estar hoje abaixo do ponto em que se encontra caso tivéssemos um ambiente de maior estabilidade interna. Ou seja, a fuga de capitais externos em 2020 e nos primeiros meses de 2021, provocadas sobretudo pelo efeito Bolsonaro, agora é de certa forma compensada pela entrada de dólares pela via do superávit da balança comercial.
O efeito commodities também pode aliviar a pressão sobre o Banco Central. A estimativa do mercado é que o Brasil terá um superávit comercial em torno de 70 bilhões de dólares neste ano. O suficiente para segurar o dólar em patamar que não pressione os preços internos.
Juro básico em alta e dólar mais comedido tendem a arrefecer as expectativas em relação à inflação. São movimentos positivos, porém não suficientes para garantir um crescimento mais robusto e sustentado no tempo. O que não deve e não pode acontecer é o Brasil perder as oportunidades que o mundo está a oferecer, principalmente por conta de suas constantes crises internas.