Há indícios de um “apagão” nos serviços públicos, vaticina José Casado. “O pandemônio governamental na pandemia começou na saúde e se espraia pela Esplanada dos Ministérios, em
Brasília”. Foi agravado pela bagunça orçamentária produzida num acordo de
Jair Bolsonaro com líderes do
Centrão, ele conclui.
É preciso repactuar e reorganizar as condições objetivas de governança no país para recriar capacidade de entrega dos governos e superar os “gargalos” do processo decisório e do arcabouço institucional – inclusive a proliferação de órgãos de controle e fiscalização que não conversam entre si e produzem um cipoal de mecanismos concorrentes e paralelos de controles. Para controlar o Leviatã, produziu-se no
Brasil um novo Leviatã. As obras inacabadas são mais um exemplo do “apagão de canetas”, causado pelo medo dos gestores públicos dos ataques do novo Leviatã.
A procrastinação da reforma administrativa retarda o conserto da babel criada na gestão de RH, com disfuncionalidades, privilégios e paralisia decisória. E aumenta o problema da conformação de um Estado que não cabe no PIB. Com 95% do orçamento federal engessado. Um sistema que se consumiu. Uma máquina voltada para ela mesma. Hoje, a espinha dorsal do bloco de poder no Brasil tem a predominância da burocracia estatal dos 3 poderes e da parte do empresariado que se articula para preservar isenções, subsídios e desonerações.
Está mais que na hora de repensar o Estado e a gestão pública no país. Os pré-candidatos à sucessão presidencial, que já estão na pista, precisam encarar este problema histórico-estrutural. Precisam construir capital simbólico, capital político e capital social para agregar na direção de novo Contrato Social e novo pacto de poder. E, no governo, superar o vazio de poder.
É preciso redesenhar o governo para além da gestão moderna de RH. E para além da velha dicotomia entre fiscalistas e desenvolvimentistas. O governo precisa atuar estrategicamente para a criação de valor e riqueza social, via catalisação de investimentos.
O problema não é governo grande ou mínimo, é qual tipo de governo é melhor. Para liderar sinergias com a iniciativa privada e a sociedade civil e catalisar investimentos transversais na economia. E se repensar como organização sistêmica e transversal. Com servidores públicos que possam superar o apagão de canetas e ter uma curva de aprendizado para uma cultura de correr riscos e impulsionar inovações para a criação de riqueza social. Utopia?