O Plano
Biden impulsiona novos paradigmas. Na reinvenção do capitalismo. No foco da ação governamental. No desenho de políticas públicas. E no pensamento econômico. Com o propósito de uma transição para a economia verde, o Plano tem enfoque transversal na economia e na sociedade.
Tem efeitos nas cadeias produtivas, na infra-estrutura e nos programas sociais. Através da indução de encomendas e financiamentos públicos, ele pretende reconstruir as cadeias produtivas da economia americana, gerar empregos e promover inovação, produtividade e economia de baixo carbono.
Na largada, Biden esquentou o debate econômico: quais são os limites da expansão dos gastos públicos? Desde os anos 1980, as ideias econômicas dominantes eram influenciadas pelo Consenso de Washington – também chamado de fundamentalismo de mercado. Segundo o economista Dani Rodrik, este consenso ganhou tração com os excessos de intervenção do keynesianismo. Mas ele produziu economias financeirizadas, desiguais e instáveis, incapazes de lidar com os desafios das mudanças climáticas, da inclusão social e das tecnologias digitais disruptivas, assinala Rodrik.
É nesta crise de crescimento desigual do capitalismo e dos limites das políticas públicas neoliberais que surgem novas formulações. Uma vertente de pensamento econômico fora da caixa. Formulação instigante e experimental (no sentido da lógica científica do ensaio-erro de Karl Popper). Aqui, nos
EUA e no Reino Unido. Formuladores como André Lara Resende, Dani Rodrik, Samuel Bowles, Mariana Mazzucato e outros.
O núcleo do debate tem eixos que se interconectam. Primeiro, repensar o capitalismo, a gestão governamental e o foco das políticas públicas. Segundo, reestruturar os gastos públicos na direção de investimentos transversais, que exigem liderança governamental e catalisação do mercado e da sociedade. Terceiro, mirar a criação de valor e riqueza social, com ênfase na inovação e na conformação de novos mercados.
Assim, a ação governamental para a criação de valor pressupõe sinergia entre o governo, a iniciativa privada e a sociedade, conformando um capitalismo de “stakeholders”. Com inclusão social e digital. E a recriação permanente de mercados, a partir do contínuo efeito catalisador do processo de inovação.
Mariana Mazzucato usa o exemplo do Projeto Apollo, da ida à Lua. A“Missão Apollo” teve efeitos na economia e na sociedade, espraiando mudanças – via ciência, tecnologia e inovação – em pelo menos oito áreas: cadeia alimentar; medicina; materiais; biologia; microbiologia; geologia; engenharia espacial; e tecnologia da informação (resultando na internet).
As transições para a
economia verde e para a inclusão digital colocam desafios que requerem a busca de novos paradigmas. A busca está em movimento.