Um ano, uns meses e um furacão em forma de pandemia se passaram desde o vigoroso
discurso de Joaquin Phoenix no Oscar. Phoenix levou o prêmio de melhor ator por seu trabalho em “Coringa”. Ao receber a estatueta, assumiu seus privilégios de homem branco e destacou a importância de lutar contra a ideia de que uma nação, uma pessoa, um gênero ou uma espécie têm o direito de dominar, controlar e explorar os outros.
Ver a vitória de uma atriz de 63 anos e de um ator de 83 nas categorias de melhor atriz e melhor ator também tem seu quê de rebeldia.
Frances McDormand, escolhida a melhor atriz da temporada por "Nomadland", passa longe do modelo de beleza que cinema e TV se acostumaram a exaltar. Em idade, também dobrou há algum tempo o cabo que leva ao desprezo e ao esquecimento. Seu jeitinho peculiar e sua visão das coisas, felizmente, seguem afiados.
Em 2018, quando venceu o Oscar pelo papel de “Três Anúncios para um Crime”, num dos grandes momentos da premiação, ela pediu que todas as mulheres presentes na festa se levantassem. Ao deixar o palco, deixou também uma provocação. Cláusula de inclusão, ela disse, referindo-se à possibilidade de atores, atrizes, diretores ou roteiristas exigirem uma porcentagem de diversidade de gênero, raça, orientação sexual ou qualquer outra em seu contrato.
Anthony Hopkins, vencedor como melhor ator por "Meu Pai", também tem seu lado outsider (adoro, e vocês?). Atrapalhado, solitário e raivoso na infância, temperamental nos sets, ele se tornou o ator mais velho a receber um Oscar (é claro que a eventual vitória de Chadwick Boseman por "A Voz Suprema do Blues" não faria nada mal à caminhada pela diversidade do #oscarsowhite, mas...).
Racismo, homofobia, preconceitos e machismo são chagas que entristecem, isolam, segregam e matam. Como cada um de nós, só que em proporções muitíssimo maiores, o Oscar tem papel central na luta a que Joaquin Phoenix se referia em 2021. Comercialmente também não dá mais para ignorar o tema, e o Oscar, definitivamente, não dá ponto sem nó.