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Cinema

Passo do Oscar rumo à diversidade foi bom, mas queremos mais

Neste estranho 2021, a premiação ainda predominantemente masculina e branca deu mais um passo, insuficiente ainda, mas digno de atenção pelo tamanho do feito, com Chloé Zhao

Publicado em 02 de Maio de 2021 às 02:00

Públicado em 

02 mai 2021 às 02:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

Oscar 2021
A cineasta chinesa Chloe Zhao, premiada por Nomadland Crédito: Reuters/Folhapress
Um ano, uns meses e um furacão em forma de pandemia se passaram desde o vigoroso discurso de Joaquin Phoenix no Oscar. Phoenix levou o prêmio de melhor ator por seu trabalho em “Coringa”. Ao receber a estatueta, assumiu seus privilégios de homem branco e destacou a importância de lutar contra a ideia de que uma nação, uma pessoa, um gênero ou uma espécie têm o direito de dominar, controlar e explorar os outros.
Neste estranho 2021, o Oscar ainda predominantemente masculino e branco deu mais um passo, insuficiente ainda, mas digno de atenção pelo tamanho do feito. Chloé Zhao, uma chinesa magrinha de 39 anos de idade, ficou com a estatueta de melhor direção, tornando-se a segunda mulher em 93 edições de evento a receber o prêmio e a primeira que não é branca.
Ver a vitória de uma atriz de 63 anos e de um ator de 83 nas categorias de melhor atriz e melhor ator também tem seu quê de rebeldia.
Frances McDormand, escolhida a melhor atriz da temporada por "Nomadland", passa longe do modelo de beleza que cinema e TV se acostumaram a exaltar. Em idade, também dobrou há algum tempo o cabo que leva ao desprezo e ao esquecimento. Seu jeitinho peculiar e sua visão das coisas, felizmente, seguem afiados.
Em 2018, quando venceu o Oscar pelo papel de “Três Anúncios para um Crime”, num dos grandes momentos da premiação, ela pediu que todas as mulheres presentes na festa se levantassem. Ao deixar o palco, deixou também uma provocação. Cláusula de inclusão, ela disse, referindo-se à possibilidade de atores, atrizes, diretores ou roteiristas exigirem uma porcentagem de diversidade de gênero, raça, orientação sexual ou qualquer outra em seu contrato.
Anthony Hopkins, vencedor como melhor ator por "Meu Pai", também tem seu lado outsider (adoro, e vocês?). Atrapalhado, solitário e raivoso na infância, temperamental nos sets, ele se tornou o ator mais velho a receber um Oscar (é claro que a eventual vitória de Chadwick Boseman por "A Voz Suprema do Blues" não faria nada mal à caminhada pela diversidade do #oscarsowhite, mas...).
Racismo, homofobia, preconceitos e machismo são chagas que entristecem, isolam, segregam e matam. Como cada um de nós, só que em proporções muitíssimo maiores, o Oscar tem papel central na luta a que Joaquin Phoenix se referia em 2021. Comercialmente também não dá mais para ignorar o tema, e o Oscar, definitivamente, não dá ponto sem nó.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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