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Cinema

“Entre Mulheres” retrata opressão dos homens elevada à máxima potência

Longe de fornecer respostas completas, “Entre Mulheres” evidencia que há, ainda, um longo caminho pela frente. E ele será menos e menos tortuoso quanto maiores forem o debate de ideias, a circulação de conhecimento, a construção de oportunidades

Publicado em 26 de Março de 2023 às 00:30

Públicado em 

26 mar 2023 às 00:30
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

Filme
Filme "Entre Mulheres" Crédito: Divulgação
As alternativas eram três, bastante parecidas com as que muitas de nós encontramos nas encruzilhadas da vida. Elas podiam não fazer nada, podiam ficar e lutar ou podiam partir.
A questão que movimenta o filme “Entre Mulheres” é baseada numa história real registrada na Bolívia em 2010. A proximidade no tempo e no espaço torna a revelação ainda mais dramática: mulheres discutem em grupo o que fazer após descobrirem que estão sendo dopadas e estupradas por homens da própria comunidade, uma vila fechada em si mesma e na religião.
O componente espiritual dificulta ainda mais a decisão quando as vítimas recebem um ultimato das lideranças religiosas: ou perdoam os estupradores ou terão de acertar as contas no juízo final, com clara desvantagem para aquelas que decidirem não absolver seus agressores.
Inspirado no livro “Mulheres Falando”, de Miriam Toews, o filme que chegou recentemente aos cinemas retrata a opressão dos homens elevada à máxima potência.
O celeiro usado como cenário principal da história simboliza o mundo todo. Um mundo de pouca luz e muitas sombras, erguido sobre enormes desigualdades, que permitem e até estimulam o machismo, a violência de gênero e o silenciamento feminino.
Como quase sempre, no filme como na vida, cabe à mulher provar o crime que sofreu, reviver traumas intransponíveis, digerir as dores e lidar com julgamentos feitos a partir de critérios determinados pelos homens.
A história, não à toa, começa com uma declaração: “O que se segue é um ato da imaginação feminina”. A frase usada pelos anciãos da colônia tenta justificar os ataques sexuais ao atribuí-los a fantasmas, ao demônio ou à histeria das mulheres.
Os simbolismos são imensos. Ao debaterem qual caminho seguir, todas juntas, sem deixar nenhuma para trás, as mulheres discutem não apenas os prós e os contras de não fazer nada, ficar e lutar ou partir. Elas examinam a própria vida, o peso das privações a que são submetidas e as possibilidades para as que virão depois. Apoiam umas às outras, se defendem, se contrapõem e se questionam.
O filme da diretora Sarah Polley oferece perguntas essenciais. Quanto de briga estamos dispostas a suportar em nome da liberdade? Ao reagir com violência a atos violentos nos tornamos exatamente iguais a quem nos agride? Os homens, de algum modo, são resultado do próprio sistema que criaram? Como quebrar o ciclo em que eles são ensinados a oprimir e nós a obedecer?
Longe de fornecer respostas completas, “Entre Mulheres” evidencia que há, ainda, um longo caminho pela frente. E ele será menos e menos tortuoso quanto maiores forem o debate de ideias, a circulação de conhecimento, a construção de oportunidades, a compreensão das diferenças e a união de todas nós.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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