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Crônica

Morte de AnaMi nos ensina a lidar com a partida dos nossos

Lidar com a possibilidade da morte e com a sua hora não é mole. Mas gosto de pensar que a forma como AnaMi viveu nos ajuda, um pouco que seja, a  colocar um olhar mais gentil na forma como encaramos a própria vida

Públicado em 

26 fev 2023 às 00:40
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

Morte
Ana Michelle Soares, a AnaMI Crédito: DIVULGAÇÃO/MARCELO NADDEO
Soube da morte da jornalista e escritora Ana Michelle Soares com uns dias de atraso. Diagnosticada com um câncer incurável e desenganada pelos médicos aos 28 anos, ela viveu até os 40, dando aulas sobre leveza apesar do que pesa, resiliência, autocuidado, outros jeitos de usar a dor e a genuína felicidade de viver enquanto estamos vivos.
Criadora da Casa Paliativa, um projeto pensado para acolher pacientes com doenças graves, falar sobre autoconhecimento como cura e também lutar por uma medicina na qual médicos não minimizem a dor do doente, AnaMi venceu a morte com seu legado.
Aprendemos com ela sobre dançar com o tempo, celebrar os afetos mais profundos e não condicionar a felicidade ao que está por vir. Aprendemos que a vida acaba para todo mundo, saudável ou doente. E, neste outro tipo de contagem do tempo, não devemos medir dias úteis ou segundos, mas momentos de uma vida mais verdadeira.
Aprendemos que a saída é buscar diariamente a cura que habita em cada um de nós, com câncer ou não.
Aprendemos com ela a mudar a perspectiva. Se morrer é mesmo inevitável, o que podemos fazer para sermos felizes enquanto vivemos? De quais curas precisamos para viver melhor? O que dá para jogar fora para deixar a bagagem mais leve? Como colocar em prática a delicadeza de uma vida cotidianamente extraordinária?
AnaMi partiu, mas deixou como herança o estímulo a um jeito sutil de lidar com as perdas. É preciso promover encontros, alimentar afetos, construir memórias, criar laços e desatar nós ao longo da vida para que, na hora da partida, fiquem mais boas lembranças do que dores, mais saudades do que mágoas, mais alento do que ressentimento.
Tem sido assim por aqui, dentro do possível, apesar do amargo da perda, da saudade que fica, do vazio de saber que falta um pedaço da família, da história, das raízes, das risadas, das viagens e dos encontros.
Tem sido assim, dentro do possível, apesar da dor aguda da partida, da insônia tomada de lembranças, da tristeza de saber que nunca mais teremos a presença física dos que partiram nem seu modo específico de dizer certas coisas.
Lidar com a possibilidade da morte e com a sua hora não é mole. Mas gosto de pensar que a forma como AnaMi viveu nos ajuda, um pouco que seja, a lidar com a partida dos nossos e, de certa forma, colocar um olhar mais gentil na forma como encaramos a própria vida.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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