Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Igualdade

Carta aberta à comentarista Ana Thaís Matos

Não é pouco chegar onde você chegou nem tampouco deve ter sido fácil se tornar a primeira mulher da História a comentar um jogo de futebol na TV aberta brasileira

Publicado em 04 de Dezembro de 2022 às 02:00

Públicado em 

04 dez 2022 às 02:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas Ana Laura Nahas
Ana Thaís Matos, comentarista da Globo
Ana Thaís Matos, comentarista da Globo Crédito: João Cotta/Globo
Prezada Ana Thaís,
Houve um tempo em que eu via futebol com mais atenção. Hoje ando distante, distraída, embora ainda goste da hora do hino e dos pênaltis, quando é o caso. Xingo o juiz, se preciso. Torço segundo orientações, como a minha amiga, e folheio notícias, displicentemente, enquanto corre o jogo. O que ainda me emociona é o caminho trilhado por alguns jogadores e o modo coletivo de construir as vitórias.
De uns meses pra cá, me emociona também a sua força. Não é pouco chegar onde você chegou nem tampouco deve ter sido fácil se tornar a primeira mulher da História a comentar um jogo de futebol na TV aberta brasileira.
Como jornalista, bato palmas para o fato de que você domina as táticas e técnicas do assunto sobre o qual comenta. Como mulher, reverencio o pioneirismo e a firmeza sem perder a ternura com que você se posiciona.
Eu contei, Ana Thaís: no jogo da última segunda-feira, 30 minutos se passaram até que o narrador famoso convocasse você a fazer um comentário, mais da metade de um tempo inteiro da partida entre brasileiros e suíços no Catar - um país, aliás, pouquíssimo afeito aos direitos femininos. Os outros comentaristas - dois homens - foram chamados muito antes.
Como se não bastasse, nenhum eco sobre os seus comentários foi visto, sentido ou ouvido, ao contrário do que estamos acostumados a presenciar no Clube do Bolinha das transmissões de TV, um emendando a frase do outro, um rindo da piada do outro, completando o raciocínio ou exaltando a tirada do outro, uma irmandade só.
Seu feito, Ana Thaís, é mesmo histórico. Afinal, foram necessários 52 anos desde a primeira transmissão brasileira de uma Copa do Mundo para que uma mulher estreasse como comentarista na TV aberta. Uma mulher que estudou jornalismo graças a uma bolsa do Prouni, que nasceu na periferia, que enfrentou o machismo das redações e dos estádios, que seguiu o jogo, literalmente.
O espaço conquistado por você merece ser celebrado, Ana Thaís. Por mulheres e por homens. Por quem ama o futebol e por quem não liga tanto, mas sabe do imenso poder do esporte na desconstrução de preconceitos e na construção de oportunidades. Por quem torce pela igualdade e pela diversidade.
Sua conquista acaba sendo, de algum modo, de todas as mulheres e de um país inteiro.
Obrigada por isso e até mais.

Ana Laura Nahas

Ana Laura Nahas Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Maya Massafera no tradicional Baile do Copa
Maya Massafera rebate fake news após rumores de cirurgia
Virginia Fonseca e Anitta
Virginia Fonseca acusa Anitta de recusar cerimônia de passagem da coroa na Grande Rio
4. Vital 2026 terá despedida de Felipe Pezzoni dos vocais da Banda Eva no ES
Fim de uma era: Felipe Pezzoni fará último show com Banda Eva no ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados