ASSINE
É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

A milenar história do 25 de julho, o Dia Fora do Tempo

Uma celebração da sabedoria dos povos ancestrais, mas também um pequeno respiro na corrida de obstáculos da vida diária

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 25/07/2021 às 02h00
Meditação
Os maias acreditavam que o Dia Fora do Tempo deveria ser um momento de olhar para trás, avaliar projetos, reorganizar desejos, rever feitos, tomar nota do que fosse preciso, apagar o resto e seguir. Crédito: kjpargeter/Freepik

Os anos passam, as coisas mudam, a vida pesa e volta a ficar leve. As estatísticas saem da TV e sentam no sofá, bem do nosso lado. Os temas se impõem, por força do ofício, das circunstâncias, da criatividade ou da responsabilidade. Mas, mesmo com as mudanças, as perdas, os lutos e as lutas, sempre que o meio do ano chega é hora de parar um pouco em nome da milenar história do 25 de julho, o Dia Fora do Tempo.

A milenar história do dia 25 de julho é uma história de alento e inspiração. Uma celebração da sabedoria dos povos ancestrais, mas também um pequeno respiro na corrida de obstáculos da vida diária.

Donos do mais desenvolvido sistema de escrita da América pré-colombiana e de um refinado repertório de arte, arquitetura, matemática, agricultura e astronomia, os maias contavam o tempo de um modo diferente.

Para eles, os ciclos se repetiam de 13 em 13 luas de 28 dias cada, somando 364 dias, com início em 26 de julho e fim no 24 de julho seguinte. O dia 25 de julho não pertencia nem a um ciclo nem ao outro, e os maias o chamavam de O Dia Fora do Tempo.

Assim, de acordo com o povo pré-colombiano que criou um dos calendários mais completos da história da humanidade, nas horas compreendidas entre o final do dia 24 e o início do dia 26, as tarefas seriam meditar a respeito da vida, agradecer pelo resultado das semeaduras anteriores, dedicar-se à cultura para alimentar a mente, elevar o estado de consciência e respirar, simplesmente.

Segundo a visão maia, nas 24 horas do dia 25 de julho se concentra a energia para o período que começa, bem ou mal, alegre ou triste, leve ou pesado, de acordo com o que for – bom ou mau, alegre ou triste, leve ou pesado – o Dia Fora do Tempo.

Os maias acreditavam que, por ser um momento de transição e purificação, o Dia Fora do Tempo deveria ser um momento de olhar para trás, avaliar projetos, reorganizar desejos, rever feitos, tomar nota do que fosse preciso, apagar o resto e seguir.

A milenar história do dia 25 de julho nos ensina a dar uma volta para dentro antes de começar de novo. Uma pausa daquela que faz um bem danado para a rotina, ultimamente mais ressentida do que nunca diante da crise sanitária, econômica, política e coletiva em que estamos metidos. Uma bem-vinda reflexão sobre o tempo e o que virá, apesar de toda a incerteza que nos cerca.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

A Gazeta integra o

Saiba mais
Crônica

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.