Ao conferir no noticiário o que tenho pensado sobre a evolução do ambiente político, vi que crescem os blocos de constrangidos, inclusive o dos que estão ao lado do constrangedor-mor, fazendo caras de tudo certo. Se campeonato houvesse, ao menos dois de seus ministros mereceriam medalhas, por acatar ordens constrangedoras.
O general da Saúde, com fama de competente, deve estar tendo dificuldade para dormir e de se explicar pros colegas. A de prata caberia ao da Defesa, por ter que soltar notas ambíguas, concordar com aumento das importações de armas e munição para abastecer malucos, andar de helicóptero sobre aglomerações indevidas, referendar autorização de compra de aviões para a tropa terrestre e ver o chefe voltar atrás sob pressão do pessoal que voa e, ainda, por ter que explicar a participação do filho do chefe nas negociações com fabricante de pistolas suíças.
Agora, por fatores diversos e interesses inconfessos, a palavra em evidência é liberdade. Liberdade de expressão, pra ser mais exato. Cresce a insatisfação com o uso da liberdade de expressão para fazer política ameaçando, difamando, mentindo e muito mais. Muitas palavras estão sendo ditas e escritas para defender o direito de se falar o que se pensa, e também, por oportunismo, para embananar a regulamentação da punição dos que vivem de fake news.
Tem muita gente retomando a coragem que estava guardada no fundo das gavetas da alma e vindo a público defender o que pensa. Até antigas lideranças começam a voltar à cena política. Atitudes de conformismo e embates verbais vão dando lugar a providências práticas de enfrentamento: abertura de processos na justiça e de inquéritos policiais, pedidos de explicação, prorrogação de prazos de investigações, sem falar nos manifestos coletivos e na tomada das primeiras quadras de avenidas.
O fato é que estão acontecendo reações em escala crescente e em várias frentes. O panorama está mudando, embora ainda não se saiba pra onde.