Esses dias, vi um vídeo em que um paciente curado da Covid-19 foi até a frente de um hospital em São Paulo para homenagear os profissionais de saúde engajados na luta contra o coronavírus. Domingo último (24), assisti a um casal de médicos dizendo que a 50 dias não veem os filhos que estão na casa de parentes para que eles possam servir à saúde com a intensidade que a pandemia exige. Por fim, abro as redes sociais e vejo as marcas do EPI (equipamento de proteção individual) no rosto de um profissional de saúde que roda noite, semanas, sacrificando necessidades básicas para cuidar da vida.
Quando criança, assistíamos na TV vários desenhos animados, que nos apresentavam Batman, Homem-Aranha, X-Men e por aí segue... Porém, a pandemia nos mostrou e revelou ao mundo o rosto dos heróis, de fato, capazes de salvar e resgatar tantas vidas. E fiquei a me perguntar: nossas crianças estão vendo tudo isso? Elas estão acompanhando as palmas aos enfermeiros? Elas estão ouvindo os pais dizerem sobre eles em casa? Elas estão vivenciado que os médicos, enfermeiros e técnicos não são qualquer profissional, eles possuem singularidades?
Por hora, talvez, poderemos dizer: este momento heroico dos profissionais de saúde vai acompanhar a nova geração, e por ela serão todos reverenciados. Mas não podemos esquecer dos motoristas, caminhoneiros, bombeiros e tantos outros profissionais que não param, para nós, você e tantos mais, ficarmos em casa, isolados, para o controle da pandemia.
Bom, se teremos um novo mundo após a pandemia, ouso crer que sim; Se teremos um novo normal, ouso crer que sim; Se teremos novos heróis, ouso crer que sim. Não precisamos de mitos na política, nem de salvadores da pátria, aliás, o que precisamos mesmo é de reverenciar os profissionais da saúde, ficando em casa.
A lógica não pode ser outra. Quando saímos sem necessidade; quando pulamos a cerca que nos foi colocada pelas autoridades de saúde, em vista do cuidado; quando damos audiência para ideologias errôneas; e quando abortamos a ciência, estamos trabalhando contra aquilo que almejamos: a superação da pandemia.
Por fim, precisamos dizer: a pandemia “incinerou” a magia do heroísmo surreal. A nova geração pode assistir Batman ou Homem-Aranha, mas com a consciência que o super poder não está na armadura, mas em um jaleco branco; não está numa arma, mas na ciência e na educação; não está no poder de voar, mas no sentar em frente ao volante e rodar o país para levar o necessário para a vida. Os heróis, de fato, são anônimos, sem asas e sem capas.