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Luto

Coronavírus: o drama de não poder se despedir de quem a gente ama

A pandemia atingiu ao máximo de nós, tocou no que não admitimos e não tem para onde correr. Precisamos ainda aprender a lidar com a hora da dor

Públicado em 

14 mai 2020 às 05:00
Vinicius Figueira

Colunista

Vinicius Figueira

Cemitério Jardim da Saudade, em Nova Rosa da Penha, Cariacica
Cemitério Jardim da Saudade, em Nova Rosa da Penha, Cariacica Crédito: Claudio Postay/Prefeitura de Cariacica
Publicitário é um sujeito sempre muito observador, pra ele tudo comunica. Inclusive, nesses tempos de pandemia, o mundo está convocado a lidar com um drama maior do que a Covid-19, que é o de sepultar sem poder se despedir. O coronavírus nos colocou em isolamento social, e nos isolou de tal forma que a despedida do ente querido está sendo restrita e até subtraída. Como lidar com esse drama?
O luto é sempre uma experiência dolorosa, penosa. Infelizmente, não podemos tocar o corpo que sempre foi abraçado, não podemos contemplar com nossos próprios olhos o rosto silencioso de quem amamos. É fatídico, mas é a realidade da pandemia. Debruçado sobre esse tema, fiquei a pensar nos sentimentos gerados no interior de uma pessoa, despedaçada, que não pode nem receber um abraço, único gesto capaz de juntar os pedaços e nos refazer aos poucos. Antes, cada abraço era uma forma de nos “colar” aos poucos. Hoje, não temos mais isso.
Como comunicador, me parece que o mais duro neste momento não é o não poder olhar, mas o não poder falar, conversar, dizer uma última palavra, embora o ente querido não escute mais. O falar nesse momento só precisa ser correspondido com o silêncio do ser que foi silenciado pela morte. A superação do luto, da morte, passa por esse momento de fazer contato com o silêncio, de colocar para fora tudo que está dentro. Isso está sendo retirado das pessoas. Conversar com quem? Foi infectado, foi pro hospital e faleceu. E você não pode mais se comunicar com ele, com o silêncio dele.
São muitas as sequelas de uma pandemia, muitos mortos estão nos cemitério, mas muitos outros estão vivendo experiência de morte ao invés do “luto”, ou uma dupla morte. "Freud dizia que a morte é algo no limite do inaceitável. Por mais que a gente sabia [da morte], a gente sabe disso para os outros, mas não sabe para si.” Fato!
A pandemia atingiu ao máximo de nós, tocou no que não admitimos e não tem para onde correr. Precisamos ainda aprender a lidar com a hora da dor. Esse rito está sendo tirado de nós, o momento máximo de conexão com a minha crença e de comunicação dos meus sentimentos para quem eu tanto amo. Precisamos buscar forças e seguir em frente, mesmo que a vontade seja outra.

Vinicius Figueira

É publicitário. Uma visão mais humanizada dos avanços tecnológicos e das próprias relações sociais tem destaque neste espaço. Escreve às quintas

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