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Crônica

A palavra "constrangimento", em tempos de embates, está na ordem do dia

Convivemos com situações constrangedoras das mais variadas, pontuais e abrangentes, eventuais e permanentes, de menor e maior alcance e impacto

Públicado em 

29 mai 2020 às 05:00
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu

Constrangimento
Constrangimento Crédito: Stockvault/Divulgação
Sei de constrangidos confessos e imagino os muitos enrustidos nestes tempos de embates. A palavra constrangimento está na ordem do dia. Confirmei no Google que ela expressa muitos estados de alma, todos negativos e desagradáveis, incluindo: aborrecimento, acovardamento, aflição, arrependimento, desconforto, depressão, desconfiança, embaraço, encabulamento, impotência, insatisfação, introversão, raiva, recolhimento, vergonha.
Convivemos com situações constrangedoras as mais variadas, pontuais e abrangentes, eventuais e permanentes, de menor e maior alcance e impacto. As piores envolvem ameaça, assédio, imposição, coação, intimidação, opressão, repressão, violência física ou moral, atitudes muito associadas ao jogo de poder. Embora possa se abater sobre qualquer um, o constrangimento atinge mais pesadamente as pessoas de boa-fé, crédulas, ingênuas, inseguras, temerosas e tímidas.
Ao se repetirem com frequência, esses acontecimentos podem gerar emoções silenciosas e cumulativas, em cadeia. Embora sentidas individualmente, podem afetar muitas pessoas ao mesmo tempo. Constranger sistematicamente é uma estratégia de enfrentamento temerária, nem sempre bem aceita.
Na esfera do governo federal, por exemplo, seria interessante saber o grau de constrangimento dos que assinam notas de apoio, medem palavras em depoimentos, participam de reuniões toscas, não concordam que se arme a população nem que se façam visitas e ingerências indevidas, desaprovam o uso de fake news, agressões a jornalistas e a instituições, e barganha com cargos públicos.
Sei, por experiência, que sensações de alívio, indignação, rebeldia e de desejos de revanche são próprias dos que se livraram dos constrangimentos a que foram submetidos. Imagino que coletivos de ex-constrangidos podem surgir por empatia, identificação, compaixão, solidariedade e sensação de pertencimento, em favor de causas coletivas.
E daí? Otimista que sou, torço para que o bom senso e o discernimento ajudem a agregar, mobilizar e organizar os que vêm sendo constrangidos, os insatisfeitos e os indignados, onde estiverem. E assim fortalecer poderes legítimos para enfrentar as fontes de constrangimentos e agir para ajustar o curso da política, enquanto é tempo.

Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

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