Depois de longos processos de recuperação de saúde prejudicada, eu já estava relativamente treinado a ficar em casa. De umas semanas pra cá, já fortinho, tenho saído pouquíssimo e ninguém tem passado do nosso portão pra dentro.
Pelo que sei e posso imaginar, esse período de convívio com as ameaças da pandemia tem sido, pra muita gente, um tempo pra parar e pensar, pra recuperar o fôlego e avaliar com calma o andamento da própria vida.
"Espero que essa crise, além das valiosas lições de empatia e solidariedade, produza lideranças consequentes e nos ensine a escolher presidentes"
Com certeza, as redes sociais estão cumprindo papel ainda mais estratégico na interação das pessoas. Agora, ainda que ilhadas, cada uma pode estar muito mais tempo trocando ideias e se divertindo com quem gosta.
Bem casado e engenheiro de produção, tenho aproveitado o isolamento para intensificar o aprendizado de como preparar pratos frugais, saborosos e saudáveis, em pouquíssimos minutos. Também venho aprimorando minhas técnicas de lavar louça e utensílios de cozinha pra ganhar tempo pra atividades mais atraentes. Temos lido e comentado passagens interessantes de livros, um sobre a história da humanidade e outro sobre o Rio de Janeiro no começo do século passado, quando a gripe espanhola provocou milhares de mortes.
Difícil mesmo está sendo aturar o presidente da República continuando a agir como moleque birrento e mocinho rebelde em pleno começo de tão grave crise. Tenho lido muitos artigos, escritos por gente séria e fundamentada, criticando duramente seus atos, palavras e comportamentos, incabíveis a um chefe de estado.
Preocupam as possíveis reações desastrosas de um homem poderoso, autorreferenciado e arrogante como ele, que vem sendo contrariado a ponto de chorar, ter que se desculpar por difundir mentiras, ser criticado abertamente por lideranças políticas, se sentir acossado pela justiça, tentar obter apoio de quem defenestrou, ver aliados chutando o balde e ser obrigado a conviver com a aplaudida insubordinação de subordinados. Isso faz pensar que estamos diante de um quadro gravíssimo de saúde pública e no limiar de grandes dificuldades políticas.
Espero que essa crise, além das valiosas lições de empatia e solidariedade, produza lideranças consequentes e nos ensine a escolher presidentes.