Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Violência doméstica

Ah, seu Jair... quem dera o problema fosse só a falta de pão

Com campanha de fortalecimento de vínculos familiares, governo indica que as políticas públicas serão somente nesse sentido. O direito das mulheres de viverem uma vida livre de violências não pautará o Ministério da Mulher

Publicado em 01 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

01 abr 2020 às 05:00
Renata Bravo

Colunista

Renata Bravo

Bolsonaro visita comércio em Brasília
Bolsonaro visita comércio em Brasília Crédito: Reprodução/Instagram
Domingo, após um tour por BrasíliaJair Bolsonaro, o presidente da República do Brasil, disse aos jornalistas no Palácio do Planalto o seguinte: “Tem mulher apanhando em casa. Por que isso? Em casa que falta pão, todos brigam e ninguém tem razão. Como é que acaba com isso? Tem que trabalhar, meu Deus do céu. É crime trabalhar?”. De forma cínica, sinaliza que a mulher que apanha em razão da ausência de trabalho do homem não tem razão de reclamar e que só em situações de vulnerabilidade econômica é que acontece violência doméstica contra mulher. Nenhuma surpresa vinda de um representante que está em constante campanha eleitoral genocida, misógina e dissociada da ciência e do que a realidade mostra e recomenda.
Na mesma linha desgovernada do Palácio do Planalto, temos como principal programa, na atual crise mundial do coronavírus, do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos a campanha “Como aproveitar o isolamento para fortalecer os vínculos familiares”.
A ministra Damares nunca escondeu que manter a ideia de família unida e irrompível é o maior – e talvez único – objetivo da pasta que lidera, custe o que custar. Para o governo federal, não importa o custo para a vida das mulheres e das crianças submetidas às violências domésticas e familiares, desde que a ideia de família sólida seja mantida, ou ao menos a ideia dessa família perfeita.
Eu sempre questiono os nomes que são dados às coisas, pois eles são importantes para forjar a opinião pública e para esconder ou escancarar os problemas existentes. Quando o governo veicula uma campanha de fortalecimento de vínculos familiares, indica que as políticas públicas serão nesse sentido e somente nele. O direito das mulheres de viverem uma vida livre de violências não pautará o Ministério da Mulher, que vem junto com “Família” e não é por acaso.
Aliás, acredito que nada seja por acaso. Nenhuma fala ou ação do atual governo é feita de inopino. Tudo faz parte de um jogo de ódio, desrespeito e violência. Posso atestar que sofri isso na pele no mesmo último domingo em que Jair Bolsonaro resolveu dar um rolezinho por Brasília: ao me manifestar em casa junto com outros vizinhos insatisfeitos com a política de morte do governo, um morador do prédio da frente se espelhou no Chefe do Executivo Nacional e gritou em direção à minha casa “Fora Bolsonaro é a sua mãe”.
A culpa é sempre da mãe, aquela que nosso leitor acusou de ser 1,99 e, pelo visto, deve ter resolvido sair de casa pra trabalhar no lugar de educar corretamente o meu vizinho e o presidente.

Renata Bravo

Renata Bravo assina uma das colunas de A Gazeta

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
5 golpes digitais comuns contra idosos e como evitá-los 
Corrida Maratona do Sol
Maratona do Sol agita Vila Velha neste domingo (5)
Prefeitura Municipal de Vitória
Prefeitura de Vitória adia data de provas de concurso por causa do jogo da Copa

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados