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Crônica

O outro lado da moeda, que mostra que nem tudo está perdido

Proporção relevante de famílias grávidas faz pensar que tantos nascimentos podem representar, para além de mera coincidência, uma reação natural em favor da sobrevivência de uma espécie ameaçada

Públicado em 

27 nov 2020 às 05:00
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu

Gravidez, grávida
Gravidez, grávida Crédito: Pixabay
As notícias de jornais indicam que os números negativos da pandemia voltam a crescer e que as curvas de contágios e de internações voltam a ser ascendentes, como que anunciando a tal segunda onda, ainda mais perigosa e aterrorizante. Fica-se com a impressão de que esteja morrendo mais gente do que nunca, pelo fato de que, agora, a morte está atingindo um maior número de pessoas conhecidas e parentes ou amigos de alguém que se sabe quem seja.
Tenho me mantido em estado de resguardo, praticando protocolos e recomendações, evitando, sempre que possível, aproximação e contato físico com outras pessoas, sobretudo com as que circulam por ambientes sabidamente de maior exposição ao contágio. A condição de participante de grupo de risco elevado me colocou sob controle rigoroso, quase neurótico, exercido por cinco filhos, deixando pouca margem para circular pela cidade, mesmo que em carro com janelas fechadas. Isso me exige o uso de uma sonseira mansa para garantir um mínimo de satisfação de estar ao lado, guardando distância prudente, de gente muito amiga, que faz falta.
Em compensação, como algo que mostra que tem sempre o outro lado da moeda e como argumento otimista de que nem tudo está perdido, fui um dos dois primeiros a saber de uma baita novidade: em meados do próximo ano serei avô de mais uma criança, vinda de Diana, nossa caçula, e de Nélio, que está bobão, bobão.
Desde ontem, quando a notícia da gestação do oitavo neto foi liberada para o grande público, Carol, completamente feliz e animada, não solta o celular, entoando uma espécie de grito de auditório: “oitavinho vem aí, pampam pampampampam, oitavinho vem aí”. Mais comedido, fico achando graça e imaginando como vai ser bom ter mais gente em volta, pedindo pra consertar brinquedo, querendo me ver fantasiado de Papai Noel.
Pelo que sei, esse mesmo tipo de compensação está acontecendo com quatro de dez casais que sempre encontramos nas reuniões de comemoração e festas de aniversário. São pessoas mais novas do que eu, cujos filhos estão começando a ter seus primeiros filhos agora.
Dá pra imaginar o tititi das avós contando vantagens dos netinhos recém-nascidos, dos netos que vão dormir pela primeira vez na casa delas, das noites maldormidas da criança e da avó, da roupinha que compraram pro neném, enfim, conversas leves, próprias para ocupar o tempo e distrair as atenções daquelas senhoras festeiras, avós de primeira.
O tamanho da amostra é bem restrito, tudo bem, mas proporção tão relevante de famílias grávidas, faz pensar que tantos nascimentos podem representar, para além de mera coincidência, uma reação natural em favor da sobrevivência de uma espécie ameaçada.

Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

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