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É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

Morrendo de rir com as últimas notícias de Brasília

O degringolamento do prestígio e do poder do presidente parece irreversível. Na impossibilidade de se manter impune no comando, só lhe resta ceder parcelas crescentes de poder e comprar apoios cada vez mais caros

Publicado em 23/07/2021 às 02h00
Stand Up Comedy - Eleições 2022
Charge de Amarildo publicada em A Gazeta no último dia 12. Crédito: Amarildo

charge de Amarildo na edição do último dia 12 deste jornal previu o final de uma etapa do governo, caracterizado por bobagens, bravatas e ameaças. No desenho do nosso astuto chargista, uns tantos brasileiros estão rolando no chão de rir, diante de Bolsonaro declarando que não haverá eleições se o sistema de votação não mudar. De lá pra cá, a coisa só fez se agravar. A derrota da PEC do voto impresso é fava contada.

A substituição de um general de confiança por um político profissional, dotado de grande capacidade de mobilização de forças e apetites, será a marca da mudança de padrões. Trazer Ciro Nogueira para dentro do Palácio é a expressão exata da capitulação do estilo capitão bravateiro. Com tal decisão, tomada por desespero, ele abre acesso aos seus segredos, delírios e intenções. E, mesmo não sendo rei, meio que fica nu e sem retaguarda confiável. Já não bastava ter Lira tomando conta do dinheiro e das votações, sempre de olho na unidade do Centrão e encantando boa parte da oposição.

O degringolamento do prestígio e do poder do presidente parece irreversível. Na impossibilidade de se manter impune no comando, só lhe resta ceder parcelas crescentes de poder e comprar apoios cada vez mais caros. E sem qualquer garantia de fidelidade e subordinação.

Não tenho conhecimento de situação tão bizarra, que até parece um torto semipresidencialismo. Teremos uma dupla de gulosos fazendo política do “venha a nós” 24 horas por dia, enquanto o presidente engasga e rola na cama. É uma condição de sobrevivência inteiramente perigosa e incômoda para pessoas que agem por impulso e prepotência. Bom exemplo disso foi a aprovação do Fundo Eleitoral de valor astronômico, que transformou um aliado em inimigo, com ameaças de abertura de processo de impeachment.

Já se vê que muitos de seus fiéis seguidores estão ficando sem graça. Mais do que isso, já tem gente debandando. Li, esta semana, que “Weintraub articula candidatura ao governo de SP fora da órbita de Bolsonaro”.

As pressões de uma igreja evangélica multinacional sobre o presidente ultrapassaram limites e podem ter aberto mais um flanco. Na condição de enviado especial disfarçado, Mourão foi à África para reunião sobre língua portuguesa e na volta veio trazendo a negativa categórica do presidente de Angola em receber membros da bancada evangélica.

A aprovação de legislação que restringe nomeação de militares para funções no serviço público, que já conta com a simpatia do pessoal de farda, será petardo definitivo no discurso de “meu Exército''.

A esperteza de Kassab, ao defender o nome do presidente do Congresso para as próximas eleições, deve ter provocado muitos soluços presidenciais, por quebra de expectativa de fidelidade eventualmente prometida. Por essas e outras, a terceira via vai ganhando força, gostem ou não os dois candidatos que se sentem invencíveis.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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