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É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

CPI da Covid: quais serão os próximos capítulos dessa história de terror?

A divulgação de sucessivas descobertas de irregularidades e de conexões indevidas no trato do dinheiro público para salvar vidas produz estragos relevantes nos níveis de confiança no governo

Publicado em 09/07/2021 às 02h00
Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza audiência pública interativa para ouvir o depoimento de especialistas convidados a respeito de aspectos técnicos da Covid-19.
CPI da Pandemia: começo a acreditar que a coisa está ficando esquisita e em bases definitivas. Crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado

Assunto alegre é o que não falta por aqui: neta crescendo rapidinho, com cabelo de cima da cabeça arrepiado no melhor estilo cacatua; goiabeira meio maluquinha, produzindo adoidada em pleno inverno de vento sul insistente; perda de Bill, irmão do finado Kill, aos 16 anos, já bem magrinho e com andar robocop, depois de receber muitos dengos, inclusive o de poder dormir dentro de casa durante um mês inteiro; a imunização de praticamente todos os membros do nosso clã familiar expandido e do círculo de amigos; e as quedas progressivas nas perdas diárias de brasileiros por Covid-19.

Mas não há como deixar de lado a insensatez e as maracutaias relacionadas aos processos de compra de vacinas pelo governo federal. A partir de uma denúncia muito bem calculada, feita ao presidente numa tarde de final de semana, vai se descortinando uma espécie de guerra entre quadrilhas ou, para usar um termo mais em voga, entre facções, por dinheiro graúdo.

Basta prestar atenção nas notícias sobre fatos envolvendo civis e militares nomeados para cargos de chefia dos órgãos responsáveis por compras bilionárias, que afetam a vida de tanta gente, lá no Ministério da Saúde. Ao que se sabe, todos eles foram indicados por políticos e empresários conhecidos e com passado relativamente nebuloso. Em complemento, também se fica sabendo de um deputado, que lidera pelo governo, operando com potência e agilidade na aprovação de legislação e de providências relacionadas com compras governamentais estratégicas.

Para engrossar a complexidade do enredo e aumentar o suspense da novela, fica-se sabendo, também, que subiram ao palco novos atores, recém-saídos de malocas e esconderijos. Amadores e profissionais, inclusive um reverendo, oferecem ótimas oportunidades de negócio, posam de detentores de influência e de acesso a gente muito enfronhada no poder central.

O que se oferecia como uma pechincha, transformou-se numa fonte de fortunas potenciais e instigou ganâncias generalizadas. Ainda não se sabe os detalhes, mas tem todo jeito de guerra de foice no escuro. O pessoal da CPI acaba de acender a luz.

Começo a acreditar que a coisa está ficando esquisita e em bases definitivas. A divulgação de sucessivas descobertas de irregularidades e de conexões indevidas no trato do dinheiro público para salvar vidas produz estragos relevantes nos níveis de confiança no governo. Vai se consolidando a impressão de que a vaca já está indo pro brejo. Há até quem acredite que ela já teria ultrapassado o famoso ponto de não retorno, de onde ninguém, mesmo que se valendo de todo tipo de recurso e de habilidade, conseguirá tirá-la.

Ainda não dá para imaginar os próximos capítulos dessa história de terror, mesmo porque, o artista principal pode querer jogar o script oficial no lixo e tentar escrever um outro, a seu gosto e dos seus. Oremos mais um pouco.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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