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É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

A chegada de Yara e serviços públicos voltados para a maternidade

No começo da semana, mãe, avó e criança foram, em comitiva, ao Banco de Leite do HPM, em Bento Ferreira, em busca de instruções sobre amamentação

Publicado em 11/06/2021 às 02h00
Mãe com bebê
Sempre protegida dos golpes de vento, ela já está tomando banho de sol. Crédito: Freepik

Yara chegou. As dores começaram por volta das nove da noite e às duas da manhã ela já estava dando o primeiro choro, com a chegada do oxigênio nos pulmões. Tempo de Lua cheia, a maternidade previamente escolhida estava inteiramente ocupada por crianças nascidas nos dias anteriores e grávidas aflitas. Esbaforida e demonstrando muita disposição, nasceu de parto natural num pronto socorro, sob cuidados de médica atenciosa, competente e querida. Compreensiva, nem reclamou.

Convicta e disposta, suga com tranquilidade os peitos da mãe. Serena, até hoje nunca golfou o que acabou de engolir. Uma grande contribuição para a qualidade de vida de quem a alimenta e que precisa de descanso e sossego entre as mamadas. Como era de se esperar, ela nasceu sabendo usar linguagem sonora por comida e trocas de fralda. Chora e berra, se necessário, sempre com justa causa.

Depois que desinchou, sua cabeça, que parecia redondinha, ganhou forma de manga espada, uma característica da saudosa bisavó Gracinha, da prima Manu e do avô que conta esta vantagem. A luz refletida na parede branca do quarto me fez acreditar que seus olhos são claros, puxando para os azuis. Seus cabelos escuros e fininhos produzem cenas de ternura quando alisados pela mãe, enquanto amamenta.

Sempre protegida dos golpes de vento, ela já está tomando banho de sol, só de fralda, no colo de alguém, com os cachorros da casa deitados na grama do jardim, ao lado, completando a cena para fotos.

Diferente do que aconteceu com todas as outras 12 crianças, filhos e netos, da família, estou acompanhando de perto os primeiros dias de Yara, sobretudo os que ela tem passado aqui em casa, sob atenções e cuidados da avó materna. Como não pego recém-nascido no colo, tento dengar a mãe no que posso. Por essas e outras, me dei conta de que a pandemia proporciona o convívio familiar para pais e avós desobrigados de sair de casa para ir trabalhar.

No começo da semana, mãe, avó e criança foram, em comitiva, ao Banco de Leite do HPM, em Bento Ferreira, em busca de instruções sobre amamentação. Ontem, elas voltaram da consulta ainda mais entusiasmadas por saberem que, além das orientações, oferecem potinhos de leite materno pasteurizado e congelado para os bebês na UTIn e para as mães com produção insuficiente. Um verdadeiro serviço público de grande utilidade, digno de registro.

Encantada com o tratamento recebido, Carol se lembrou de mamãe contando, saudosa, que papai havia criado algo similar no Centro de Saúde que dirigia nos idos de 1950, em Cachoeiro. Operado por funcionários de sua total confiança, além de oferecer orientações às mães sobre higiene e cuidados pessoais, o banco assegurava seis mamadeiras diárias para alimentar os recém-nascidos da cidade.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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