"É importante observar o nosso papel estratégico como país, da oportunidade que a gente tem de ser esse ofertante. Somos um país neutro, estável, com relação comercial com todos os países, portanto, podemos assumir um protagonismo grande, principalmente nessa agenda de transição energética".
Confira a entrevista completa:
A Vale projeta R$ 12 bilhões em investimentos no Espírito Santo nos próximos cinco anos. Para onde irá? Qual é a estratégia?
Vai por tornar a nossa produção mais verde. Faremos muita coisa em manutenção, inovação, tecnologia, inteligência artificial e em ganhos de eficiência para o porto. Faremos muitos investimentos em tecnologia verde, aí estamos falando, por exemplo, de briquete (novo aglomerado de minério desenvolvido pela Vale que exige menos queima de combustível na produção de aço). A planta de briquete (as duas primeiras estão em Tubarão) é importante no processo de descarbonização da cadeia. Estamos muito focados no ramp up (início da produção) da nossa planta número um. Eu diria que vai por aí. Vejo o Espírito Santo como fundamental nessa transição energética e nesse reposicionamento da companhia para ofertar produtos com menor pegada de carbono.
Como estão as duas usinas de briquetes? O que falta para deslanchar?
Estamos cada dia melhor na qualidade do produto que a gente vem sendo capaz de produzir na usina um. Estamos no momento de testes industriais com vários de novos clientes ao redor do mundo. Vários já testaram e o retorno tem sido bem positivo sobre a qualidade do produto e sobre o potencial de disrupção. Agora é uma questão de engenharia, de rampar o produto para que consigamos volume e eficiência. O mais importante é que o produto testado tem dado um retorno bem positivo.
Quando inaugura a segunda usina?
O foco está na primeira. Finalizado um ramp up, conseguindo produzir em escala e com a constância necessária, partiremos para a segunda.
Como estão as negociações sobre a concessão da Estrada de Ferro Vitória-Minas com o governo federal? Como ficará a situação da EF 118 (Vitória-Rio)?
Estamos avançando bastante nas discussões. Tínhamos assinado um acordo preliminar em 2024 e não concluímos. No começo de 2026, retomamos as conversas com o Ministério dos Transportes e demais entidades envolvidas na discussão e eu estou otimista de que iremos conseguir concluir isso ainda esse ano. Isso é uma parte fundamental para que a estrutura em relação ao Ramal Anchieta (da Vitória-Minas, em Santa Leopoldina, até o Porto de Ubu) e à EF 118 possa ser finalizada e o governo federal possa proceder com a devida licitação desse trecho.
Qual é o horizonte de produção, em Tubarão, com essa guerra no Oriente Médio? A Vale tem usinas em Omã, bem ao lado do conflito.
A nossa operação de Omã foi paralisada. Antecipamos uma parada programada que faríamos no final do ano. Assim, a gente redirecionou a produção aqui para Tubarão. Isso mostra que uma das grandes vantagens competitivas da Vale é o fato de a gente conseguir uma cadeia muito flexível de oferta de produtos. Mesmo com a guerra nós conseguimos manter o nível geral de produção, elevando a fabricação de pelotas aqui por Tubarão. Importante observar o nosso papel estratégico como país, da oportunidade que a gente tem de ser esse ofertante. Somos um país neutro, estável, com relação comercial com todos os países, portanto, podemos assumir um protagonismo grande, principalmente nessa agenda de transição energética.
Como enxerga o atual cenário econômico. Brasil, mundo, guerra…
A guerra gera um grau de incerteza muito grande. Todos estão observando de perto para saber quanto tempo leva, qual o tamanho do impacto e a duração do impacto. Principalmente quando a gente fala de preço de petróleo, combustível... A guerra nunca tem lado positivo, mas olhando para o Brasil, acho que é uma grande oportunidade de se posicionar. A guerra demonstrou a necessidade de se garantir a resiliência no fornecimento, seja de combustível, seja de minerais críticos. O Brasil pode ser um ofertante desses materiais. Falo de biocombustível, petróleo e, no nosso caso aqui, de minerais e minerais críticos. Acho que a gente sai dessa situação com uma oportunidade de avançar nessa pauta e posicionar o Brasil como um ofertante confiável no longo prazo para uma economia mundial que seguirá demandando esses produtos.
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