O
investimento anunciado, na última quinta-feira (06), pela ArcelorMittal - quase R$ 4 bilhões na usina de Tubarão para a implantação de um laminador de tiras a frio e de uma linha de revestimento contínuo - é o remédio para driblar, no médio e longo prazos, a onda protecionista por que vai passar a economia mundial. O Brasil exporta placas de aço (os fornos de Tubarão são os de maior capacidade do Brasil), mas é um importador de lâminas de aço galvanizado. Ou seja, a nova linha da ArcelorMittal no Espírito Santo visa justamente suprir uma carência nacional. Como consequência, reduz a exposição da companhia no exterior.
“Parte da bobina a quente que produzimos em Tubarão é exportada. Com a ampliação vamos deixar de vender para fora e passar a laminar a frio, galvanizar, agregar valor, portanto, e a vender majoritariamente para o mercado interno. Estamos muito focados no mercado interno, confiamos no crescimento do Brasil e estamos investindo para isso”, explicou Eduardo Zanotti, vice-presidente Comercial da ArcelorMittal Aços Planos América Latina,
em entrevista dada, em novembro passado, na inauguração da ampliação da usina de São Francisco do Sul, Santa Catarina, quando Trump já estava eleito e todos já sabiam dos rumos da nova estratégia econômica da maior economia do planeta.
A ArcelorMittal vem investindo forte em galvanizados, laminados e em outras tecnologias negociadas diretamente com o seu consumidor final, que é a indústria de eletrodomésticos, automotiva, construção civil e geração de energia solar. A unidade de Vega do Sul, em Santa Catarina, onde a companhia concentra este tipo de produtos no Brasil, está no limite e Tubarão foi a escolhida para receber a expansão. Os acionistas do conglomerado já tomaram a decisão de que, daqui para frente, a planta capixaba só receberá aportes voltados para produtos com mais tecnologia embarcada. A produção de placas de aço, berço da unidade, ficará onde está - 7,5 milhões de toneladas por ano.