ASSINE
A tartaruga-verde recebe esse nome devido à cor esverdeada do casco
A tartaruga-verde recebe esse nome devido à cor esverdeada do casco . Crédito: Banco de Imagens da Fundação Projeto Tamar

Ilha do ES é principal área de desova da tartaruga-verde no Brasil

Espécie faz cerca de 3 mil ninhos nas areias que ficam a 1.200 km da costa capixaba; veja curiosidades sobre a espécie mais avistada por banhistas no litoral do Estado

Tempo de leitura: 3min
Vitória
Publicado em 18/05/2022 às 15h39

Ilha de Trindade – que fica a cerca de 1.200 km da costa do Espírito Santo – é a principal área de desova das tartarugas-verdes (Chelonia mydas) em todo o país, ficando na frente de Atol das Rocas (RN) e até de Fernando de Noronha (PE). É nesse berço capixaba que nascem, em média, 270 mil tartaruguinhas por ano.

Analista ambiental do Centro Tamar, a veterinária Cecília Baptistotte afirma que a posição de destaque é assegurada de longe. Enquanto no arquipélago capixaba são registrados aproximadamente 3 mil ninhos por temporada, esse número não costuma passar de 500 nas outras duas concorrentes oceânicas.

O que não se sabe ao certo é o que causou essa liderança. "Ser uma área protegida e isolada pode ter contribuído para aumentar a população, pela ausência de predação. Além de estar no cinturão tropical do mundo e ter praias com areia, condições necessárias para a incubação dos ovos", esclarece.

Desde filhote, a tartaruga-verde tem a parte ventral (de baixo) branquinha
Desde filhote, a tartaruga-verde tem a parte ventral (de baixo) branquinha. Crédito: Banco de Imagens da Fundação Projeto Tamar

O período de desova da tartaruga-verde é uma das particularidades da espécie. Diferentemente das demais, ele começa em dezembro, com pico nos meses de janeiro e fevereiro, e se estende até maio – justamente quando há uma maior concentração do nascimento dos filhotes.

"Em períodos mais chuvosos e com tempo mais ameno, a incubação dos ninhos é mais longa. Já quando as temperaturas são mais elevadas e não há precipitação, os filhotes nascem mais rápido. De uma maneira geral, o período de incubação costuma variar entre 45 e 60 dias", explica.

120 ovos por temporada

É a média que cada fêmea de tartaruga-verde coloca. Deles, entre 70% e 80% resultam em filhotinhos

Outro processo que a temperatura afeta é a determinação do sexo da nova tartaruguinha. "Quando está em torno de 29°C, nasce metade macho e metade fêmea, aproximadamente. Abaixo disso, nascem mais machos. Já acima, nascem mais fêmeas, como é o caso no Espírito Santo", revela Cecília.

O casco ajuda a identificar a espécie: no caso da tartaruga-verde, ele possui quatro placas laterais
O casco ajuda a identificar a espécie: no caso da tartaruga-verde, ele possui quatro placas laterais. Crédito: Banco de Imagens da Fundação Projeto Tamar

Segunda maior espécie de tartaruga – menor apenas que a gigante, que tem o Espírito Santo como único ponto regular de desova do país –, a Chelonia mydas pode medir até 1,40 metro de casco e costuma pesar em torno de 180 kg, sendo a mais comum de ser avistada no litoral capixaba.

Cecília Baptistotte

Veterinária e analista ambiental do Centro Tamar

"Se você estiver em um píer ou na Baía de Vitória e ver uma tartaruga subindo para respirar, provavelmente vai ser a Chelonia mydas. Elas estão ao longo de toda a costa brasileira"

Essa fácil visualização acontece porque elas migram para águas mais rasas atrás de comida, ao se tornarem herbívoras na fase juvenil. "Essa é a única espécie que passa por mudança de dieta. Ela nasce onívora e muda o modelo de alimentação quando atinge cerca de 30 cm de casco", revela a especialista.

A ranfoteca (bico) da tartaruga-verde é serrilhada para ajudar na alimentação. Cabeça da espécie também é arredondada
A ranfoteca (bico) da tartaruga-verde é serrilhada para ajudar na alimentação. Cabeça da espécie também é arredondada. Crédito: Banco de Imagens da Fundação Projeto Tamar

Por viver boa parte da vida mais perto da costa, é também uma das espécies que mais sofre com ameaças relacionadas à atividade humana, como pesca e poluentes, incluindo esgoto e plástico. É por causa disso que, às vezes, as tartarugas-verdes apresentem uma doença chamada Fibropapilomatose.

"É como se fossem verrugas. Apesar de serem benignas, elas podem ficar no olho, impedindo a visão, ou atrapalhar a natação, quando nas nadadeiras. Em alguns casos pode levar a tartaruga à morte", comentou Cecília, que também afirmou que a população de Chelonia mydas segue estável nos últimos anos.

A Gazeta integra o

Saiba mais
Espírito Santo Meio Ambiente Ilha da Trindade capixaba Capixapédia Biologia Marinha

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.

Logo AG Modal Cookies

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.