Publicado em 10 de setembro de 2025 às 14:24
SÃO PAULO - O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), fez um discurso duro nesta quarta-feira (10) sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na corte. O magistrado votou pela anular o processo por incompetência da corte.>
Nele, falou da nulidade da ação penal em razão também do julgamento na Primeira Turma e abordou questões como a delação de Mauro Cid e especificidades dos tipos penais analisados na ação, como a organização criminosa.>
O voto do ministro foi interrompido para intervalo e continua ainda nesta quarta. Veja principais pontos levantados pelo ministro no julgamento de Bolsonaro.>
1. Incompetência do Supremo>
>
O magistrado afirmou que, como Bolsonaro já não ocupava o cargo de presidente, ele deveria ser julgado em instância inferior. Ele afirmou que a regra é "claríssima" na Constituição.>
Disse também que a corte mudou a competência para o julgamento no STF depois da data dos crimes discutidos na ação penal. O magistrado afirmou que o tema sofreu "inúmeras modificações" e falou em "banalização da interpretação constitucional".>
2. Julgamento na Primeira Turma>
Fux afirmou que se o ex-presidente Bolsonaro, que deveria ser julgado no primeiro grau, fosse ainda assim julgado pelo Supremo, isso deveria ser feito pelo Plenário, não pela Primeira Turma.>
O magistrado disso que o plenário do STF tem como missão julgar os cargos de maior relevância do país e que, ao rebaixar a competência para uma das duas turmas, corria-se o risco de silenciar as vozes de outros ministros.>
3. Data dump>
O magistrado também abordou a alegação de advogado dos réus de que haveria cerceamento de defesa em razão da prática de data dump, explicado pelo ministro como "disponibilidade tardia de um verdadeiro tsunami de dados".>
Fux destacou trecho da defesa de Bolsonaro, que apontou o cerceamento a partir da prática. Ele também disse que o fato pode interferir a garantia do contraditório.>
4. Delação de Cid>
O magistrado também falou sobre a delação de Cid, votando para validá-la. Antes, o ministro havia apresentado dúvidas sobre a colaboração, citando as muitas idas de Cid à Polícia Federal para manifestação.>
5. Ação penal contra Ramagem>
Sobre o parlamentar Alexandre Ramagem, o ministro defendeu a suspensão de todos os crimes, em razão de ele ser parlamentar. Atualmente, existe a suspensão dos crimes de dano e deterioração do patrimônio, uma vez que teriam ocorrido depois da diplomação de Ramagem como deputado federal.>
6. Enquadramento dos crimes>
Fux tocou na tipificação dos crimes discutidos na ação penal. Ele afirmou que é importante que a conduta do réu seja enquadrável no que é previsto na lei tal como "mão que se encaixa perfeitamente na luva".>
Ele também falou no perigo do emprego da interpretação extensiva dos tipos penais, sinalizando a tipicidade (adequação da conduta à descrição do crime) como basilar para o Estado de Direito.>
7. Organização criminosa>
Em seguida, Fux se debruçou sobre o crime de organização criminosa. Ele entendeu que esse não seria o caso de Bolsonaro e aliados por faltarem características previstas na legislação, como estabilidade e permanência, o que não teria sido comprovado pela PGR no caso.>
Ele afirmou entender que, na verdade, trata-se de um caso de concurso de pessoas, quando dois ou mais agentes agem juntos, em comunhão de vontade, para praticar um mesmo delito. O ministro também disse que não ficou demonstrado concretamente a utilização da arma de fogo pelo grupo.>
8. Crime de dano>
Fux disse que crimes de dano exigem ação, o que demanda participação física e direta do réu. Ele também afirmou que não há provas nos autos de que os réus julgados tenham ordenado a destruição do 8 de Janeiro.>
Segundo o ministro, um acusado não pode ser responsabilizado por terceiro, especialmente se não for provado vínculo, determinação direta ou omissão quanto ao dever de impedir o resultado.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta