Publicado em 4 de setembro de 2025 às 10:28
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a condenação dos sete réus do "núcleo 4" da trama golpista. O grupo é acusado de espalhar desinformação contra urnas eletrônicas e instituições e de promover ataques virtuais contra militares que não aderissem ao plano de golpe. Entre esses está o major do Exército Angelo Martins Denicoli, natural do Espírito Santo.>
Nas alegações finais apresentadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira, 3, além do capixaba, a Procuradoria pediu a condenação de Ailton Gonçalves Barros, Carlos César Moretzsohn Rocha, Giancarlo Gomes Rodrigues, Guilherme Marques Almeida, Marcelo Bormevet e Reginaldo Vieira de Abreu.>
Os réus foram denunciados por organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.>
Ailton Moraes Barros, ex-major do Exército;- Ângelo Martins Denicoli, major da reserva do Exército;- Carlos César Moretzsohn Rocha, ex-presidente do Instituto Voto Legal;- Giancarlo Gomes Rodrigues, subtenente do Exército;- Guilherme Marques de Almeida, tenente-coronel do Exército;- Marcelo Araújo Bormevet, policial federal;- Reginaldo Vieira de Abreu, coronel do Exército.>
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Réu na Ação Penal 2694, que trata sobre tentativa de golpe de Estado e disseminação de informações falsas contra o processo eleitoral brasileiro, o major da reserva Denicoli, morador de Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, foi ouvido em interrogatório realizado pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em 25 de julho.>
Na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o capixaba é apontado, nos autos, como integrante do grupo responsável por propagar, de maneira orquestrada, desinformação contra o sistema eleitoral brasileiro. Ele foi denunciado, com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 32 pessoas, em fevereiro deste ano, por tentativa de golpe de Estado. Durante sua fala no interrogatório, porém, o major negou ter participado da trama golpista, denunciada pela PGR, para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito em 2022.>
Acompanhado por seu advogado no interrogatório realizado de maneira virtual, o ex-major respondeu, primeiro, às perguntas qualificatórias (onde reside e profissão) e, depois, às direcionadas aos fatos atribuídos a ele. Perguntado se reconhecia sua participação nos crimes de que é acusado, Denicoli respondeu que não.>
Ainda durante seu depoimento, o militar afirmou que desde 2013, quando entrou para a reserva do Exército, não mantinha contato com agentes públicos ou militares de Brasília. Denicoli também assegurou, no interrogatório, que não possui capacidade técnica, segundo ele, para emitir parecer sobre a segurança do processo eleitoral brasileiro.>
Ele também negou ter feito análises e apresentado relatórios questionando a efetividade das urnas eletrônicas. O major da reserva disse conhecer Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), mas ressaltou que não possuía relação de proximidade com ele, segundo consta da denúncia da PGR.>
“Queria aproveitar para dizer que sou um major que saiu do Exército em 2013. Já são 12 anos. Da minha turma, hoje, alguns já são generais. Então, nem sequer conheço os militares envolvidos (na trama golpista denunciada pela PGR e que são réus na ação penal). Não são meus contemporâneos. Em 2013, migrei para a iniciativa privada. Quero deixar claro que não sou estatístico, que não sou matemático, como foi dito. Não tenho qualificação alguma para fazer auditoria em qualquer sistema, nunca falei de fraude. Desde 2013 moro em uma cidade pequena do Espírito Santo, chamada Colatina, bem longe de Brasília”, disse o major da reserva no interrogatório.
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Apesar de ter respondido às perguntas da magistrada que conduziu as oitivas dos integrantes do Núcleo 4, na tarde desta quinta-feira, Denicoli, orientado por sua defesa, se absteve de responder aos questionamentos da PGR e dos outros advogados presentes ao interrogatório.>
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