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Sem apoio da PGR

Tentando driblar desmonte, Lava Jato do RJ oferece denúncias e assina delação

Casos, entretanto, não têm sido divulgados por causa do receio de novas investidas contra os procuradores como a em andamento no CNMP

Publicado em 16 de Agosto de 2021 às 15:57

Agência FolhaPress

Publicado em 

16 ago 2021 às 15:57
Sede da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília
Sede da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília Crédito: Antonio Augusto / Secom / PGR
Na mira do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), sem apoio da Procuradoria-Geral da República (PGR) e com investigações anuladas pelas cortes superiores, os procuradores da Operação Lava Jato do Rio de Janeiro fecharam um acordo de delação premiada milionário e ofereceram ao menos três denúncias nos últimos meses.
Os casos, entretanto, não têm sido divulgados por causa do receio de novas investidas contra os procuradores como a em andamento no CNMP.
O corregedor-geral do conselho, Rinaldo Reis Lima, pediu em julho a demissão de 11 procuradores que atuaram na Lava Jato do Rio sob a alegação de que eles publicaram no site do MPF dados sigilosos de uma investigação sobre o ex-ministro Edison Lobão e de seu filho, Márcio Lobão.
Transformada em Gaeco (grupo de atuação contra o crime organizado) pela gestão de Augusto Aras, a antiga força-tarefa chefiada pelo procurador Eduardo El Hage tem em seus quadros atualmente 9 procuradores e 3 assessores.
A quantidade é classificada por investigadores como insuficiente para dar conta da análise de todo material amealhado nos últimos anos.
Na quinta (12), os procuradores denunciaram o almirante Othon Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear, e mais cinco pessoas.
Eles são acusados pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção relacionados ao Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos) da Marinha.
O caso teve origem no acordo de delação de executivos da Odebrecht. Além da condenação pelos crimes, o Gaeco pede o confisco de US$ 165 milhões para reparação dos danos causados. Na cotação atual, o valor alcança R$ 939 milhões, aponta o MPF.
A denúncia é a terceira dos últimos dois meses e soma-se a um acordo de delação fechado com um doleiro alvo da operação Câmbio, Desligo que confessou seus crimes e pagou cerca de R$ 200 milhões como ressarcimento aos cofres públicos.
O grupo também denunciou um auditor da Receita Federal que atuava para a organização criminosa chefiada pelo ex-governador Sérgio Cabral e apresentou uma acusação por tráfico internacional de armas contra Ronnie Lessa, preso pela morte da vereadora Marielle Franco.
As denúncias e acordos se dão no pior momento do grupo responsável pela prisão de Cabral, do ex-presidente Michel Temer e por desarticular o banco de doleiros chefiado por Dário Messer, conhecido como “doleiro dos doleiros”.
Além da investida do CNMP, os procuradores não tem o apoio da PGR como no auge da Lava Jato e tem visto seus casos serem revertidos nas instâncias superiores,
Na terça (10), a 2ª turma do Supremo Tribunal Federal anulou todos os atos do juiz Marcelo Bretas e enviou para a Justiça estadual o material da operação Esquema S.
A investigação mira escritórios de advocacia contratados pela gestão de Orlando Diniz na Fecomércio do Rio de Janeiro, alguns ligados a parentes de ministros do Superior Tribunal de Justiça.
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