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Maior risco de contágio

SP já tem transmissão sustentada do novo coronavírus, diz Uip

A gestão João Doria (PSDB) anunciou que contratou mil novos leitos destinados a possíveis internações relacionadas ao novo coronavírus. As autoridades também pediram para que pessoas com mais de 50 anos evitem aglomerações

Publicado em 12 de Março de 2020 às 18:55

Redação de A Gazeta

Publicado em 

12 mar 2020 às 18:55
O estado atualmente é o que tem mais casos da doença: 46, dos quais 44 estão na capital Crédito: Freepik
O estado de São Paulo já tem transmissão sustentada do novo coronavírus, disse nesta quinta-feira (12) o coordenador do comitê de covid-19 no estado, o infectologista David Uip. A transmissão sustentada significa que o contágio pode ocorrer mesmo entre pessoas que não viajaram e não tiveram contato com pessoas que viajaram.
A gestão João Doria (PSDB) anunciou que contratou mil novos leitos destinados a possíveis internações relacionadas ao novo coronavírus. As autoridades também pediram para que pessoas com mais de 50 anos evitem aglomerações.
O estado atualmente é o que tem mais casos da doença: 46, dos quais 44 estão na capital.
Segundo Uip, a confirmação de casos passa a ser clínica, ou seja, pela presença de sintomas e exames de imagem.
Os exames laboratoriais, com kits de teste, serão destinados apenas aos casos de internação graves, pesquisa e na rede sentinela dos municípios do estado. Para tanto, o governo adquiriu 20 mil desses kits.
Questionado sobre a possível sobrecarga do SUS, Uip disse que, se todas as pessoas com febre e tosse dependerem dos pronto-socorros, o sistema de saúde não aguentará. Para ele, a dificuldade de atender pacientes nos espaços destinados a cada caso é um dos problemas do SUS.
"Sou um defensor do SUS, mas, se formos aos prontos socorros hoje, 81% dos pacientes que estão lá deveriam estar em outros lugares [como as UBS]. Se todo mundo entender que tosse e febre é caso de pronto-socorro, não há sistema de saúde que aguente", afirma.
Além disso, o governo estadual também passa a adotar a recomendação de que pessoas com mais de 50 anos, que são o grupo de risco para a doença, evitem aglomerações de todo tipo, incluindo ônibus e metrô.
Uip aponta que um dos cenários possíveis é de que 80% das infecções em pessoas com mais de 50 anos não serão sintomáticas, recomendando-se repouso e isolamento para evitar transmissão. Os 20% restantes devem ser casos sintomáticos.
"A doença não é mórbida e não necessita de internação abaixo de 55 anos. Acima de 50 anos, calcula-se 80% de pacientes assintomáticos, 20% com sintomas e uma parte destes 20% deverá ser internada, dentre os quais uma parte precisará ser internada em UTI", diz.
Apesar disso, o governador João Doria (PSDB) reiterou que não há necessidade de pânico.
Nesta sexta-feira (13), os membros do comitê para o covid-19 do estado de São Paulo se reunirão com o ministro da Saúde, ocasião em que Doria diz que pedirá ao governo federal mais recursos para lidar com a pandemia.
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