Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 17:13
O Procon-SP aplicou uma nova multa nesta quarta-feira (14) contra a Enel, no valor de R$ 14 milhões, por falhas no fornecimento de energia elétrica na capital paulista e cidades de São Paulo no fim do ano passado, nos períodos de 21 a 23 de setembro e de 8 a 14 de dezembro. Segundo o órgão, as respostas da concessionária às notificações do Procon somadas às reclamações registradas por clientes comprovaram as falhas na prestação dos serviços, como deixar de fornecer energia por tempo superior a 48 horas, o que supera os indicadores de continuidade obtidos no site oficial nos últimos 24 meses. O indicador de continuidade avalia a frequência e a duração das interrupções no fornecimento de energia.>
O não fornecimento dos serviços de sua competência infringe diretamente o artigo 22 do Código de Defesa do Consumidor: "Os órgãos públicos, por si ou por suas empresas, concessionárias, permissionárias ou sob qualquer outra forma de empreendimento, são obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos.">
"Com a nova multa, a Enel soma nove autuações desde 2019, quando assumiu a concessão do serviço em 24 cidades na região metropolitana de São Paulo e na capital. O valor da nova penalidade foi calculado com base no artigo 56 do Código de Defesa do Consumidor, que estabelece diversas sanções", diz o órgão.>
As reclamações sobre o atendimento prestado durante os períodos de falta de energia, assim como outros problemas da Enel, também estão em análise no Procon. A concessionária não se manifestou sobre a nova multa até a tarde desta quarta-feira (14). Nesta terça-feira (13), a Enel afirmou que o apagão em dezembro na capital paulista afetou 4,4 milhões de clientes no pior dia da crise, uma quarta-feira. O número é o dobro do que havia sido divulgado na época pela própria empresa. Os dados foram relatados pela própria Enel à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) com base em arquivos sobre a atuação no episódio. As informações foram noticiadas pela TV Globo e confirmadas pela Folha de S.Paulo.>
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"A consolidação dos dados contidos em ambos os arquivos permite à Aneel alcançar o total de aproximadamente 4,4 milhões de clientes interrompidos no dia 10/12/2025, assegurando a correta representação do impacto do evento e a adequada segregação dos tipos de atendimento realizados", afirma a empresa em correspondência de 19 de dezembro.>
De acordo com a empresa, os sistemas da rede reconectaram automaticamente 1,1 milhão de clientes naquele dia. Outros 3,2 milhões tiveram fornecimento restabelecido por meio da atuação de equipes em campo. Na época, a empresa afirmava que o apagão atingiu 2,2 milhões de clientes sem luz na quarta, quando houve a chegada de um ciclone ao estado de São Paulo.>
Procurada pela reportagem, a Enel afirmou que o número de aproximadamente 2 milhões "corresponde ao pico de clientes registrados em tempo real". A empresa complementou, em nota: "Foram 12 horas seguidas de fortes ventos e, na medida em que a empresa reconectava clientes desligados, outros eram impactados sucessivamente com a força do vendaval. O número acumulado de clientes desligados ao longo do dia 10 foi significativamente maior, apurado em análise posterior ao evento climático".>
Os dados do documento também mostram poucos atendimentos na madrugada do dia 11, quando muitos clientes ainda sofriam o impacto do apagão. "A quantidade de equipes se concentrou principalmente durante o dia, dada a natureza do evento e para que fosse amplificada a produtividade das equipes", disse a empresa, em nota. A distribuidora atribuiu a dimensão do apagão à combinação de ventos intensos e persistentes, além da ocorrência de interrupções sucessivas, classificadas pela companhia como inéditas em sua área de concessão.>
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