Publicado em 22 de setembro de 2023 às 20:21
BRASÍLIA - A PGR (Procuradoria-Geral da República) informou nesta sexta-feira (22) que foram oficializadas as propostas dos dez primeiros acordos de não persecução penal com acusados de incitação aos atos golpistas de 8 de janeiro.>
Para assinar os acordos, os réus confessam o cometimento de crimes e assumem obrigações como prestação de serviços comunitários, participação em curso sobre democracia, proibição de manutenção de contas abertas nas redes sociais, além de multa.>
Os acordos precisam ser referendados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). As obrigações assumidas envolvem o cumprimento de 300 horas de serviços comunitários, com carga mensal que varia de 30 horas a 60 horas.>
Em nota, a PGR informou que a multa varia de acordo com a condição financeira de cada réu. "No caso dos 10 primeiros acordos, as multas variam entre R$ 5 mil e R$ 20 mil. Outra exigência é que os denunciados não mantenham de redes sociais abertas, do momento da celebração até o cumprimento integral do ANPP [acordo de não persecução penal]. Eles ainda deverão participar de curso com a temática "Democracia, Estado de Direito e Golpe de Estado", afirmou a Procuradoria.>
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A possibilidade de acordo foi oferecida aos acusados de incitação aos atos. Trata-se das pessoas que foram presas no acampamento em frente ao quartel-general do Exército, em Brasília, e cujas penas pelas quais foram denunciadas não alcançam quatro anos de reclusão.>
A PGR diz que, até o momento, 301 dos 1.125 denunciados como incitadores dos atos manifestaram interesse em assinar o termo.>
Aqueles denunciados por terem sido os executores dos ataques às sedes dos três Poderes não podem entrar em acordo com a PGR.>
"Já as pessoas acusadas de crimes graves – os executores dos atos antidemocráticos, denunciados por abolição violenta do Estado democrático de Direito e golpe de Estado – não podem se beneficiar do instituto, criado pela Lei 13.964/2019 (Pacote Anticrime). Nesses casos, os réus estão sendo julgados pelo Plenário do STF", diz a nota da PGR.>
Em setembro, o STF condenou os primeiros três réus julgados pelos ataques golpistas.>
Por maioria de votos, os ministros os enquadraram nos crimes de associação criminosa, golpe de Estado, abolição do Estado democrático de Direito, dano qualificado ao patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.>
Também houve aplicação de multa de R$ 30 milhões para todos por danos morais coletivos a serem pagos de forma solidária pelos condenados. Os crimes foram imputados pela PGR e aceitos por Moraes.>
As penas impostas chegaram a 17 anos de prisão para dois dos condenados. O outro foi sentenciado a 14 anos.>
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