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Meio ambiente

Negociadores dizem ser difícil retomar COP30 nesta quinta após incêndio

Negociadores ouvidos, sob condição de anonimato, avaliam que o incêndio pode atrapalhar os rumos da COP30 e impactar o humor dos diplomatas

Publicado em 20 de Novembro de 2025 às 18:28

Agência FolhaPress

Publicado em 

20 nov 2025 às 18:28
 Negociadores da COP30 avaliam ser difícil retomar ainda nesta quinta-feira (20) as tratativas depois que um incêndio atingiu os estandes da conferência, em Belém (PA). A informação foi confirmada por quatro diplomatas. Eles divergem, porém, sobre o impacto do incêndio nas negociações.
"Para mim é fácil, estou hospedado perto do pavilhão, mas pessoas voltaram para seus hotéis porque fomos orientados assim, então certamente será muito difícil voltar hoje, por exemplo, para quem está nos cruzeiros. Não sei se vão conseguir trazê-los de volta ainda nesta noite", afirmou Richard Muyungi, chefe do Grupo de Negociadores Africanos.
A organização da COP30 ainda avalia a possibilidade de voltar com os trabalhos no pavilhão, se tiver aval dos bombeiros.
Incêndio em pavilhão da COP30.
Incêndio em pavilhão da COP30 em Belém (PA) Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil.
Negociadores ouvidos, sob condição de anonimato, avaliam que o incêndio pode atrapalhar os rumos da COP30 e impactar o humor dos diplomatas. Outros, porém, avaliam que será necessário mais tempo para poder finalizar as conversas. Eles ressaltam que as negociações não serão afetadas pelo incidente, que poderiam ter acontecido em qualquer outro lugar.
Um incêndio atingiu os pavilhões da COP30 em Belém (PA) no início da tarde desta quinta-feira (20). As chamas começaram nos setores reservados aos países, causando correria entre os participantes da conferência. A energia elétrica foi cortada no local, e as labaredas chegaram a furar os toldos dos estandes. As negociações foram paralisadas, e a zona azul, esvaziada.
A organização da COP30 afirmou que o incêndio foi controlado e que não há feridos. As equipes de bombeiros e de segurança trabalham agora no rescaldo e monitoram a situação. A ONU, as forças de segurança e a organização da COP30 convocaram uma reunião de emergência para abordar o assunto.

PROBLEMAS DE INFRAESTRUTURA

Na primeira semana do evento, a ONU enviou uma carta à organização pontuando problemas na infraestrutura e na segurança. O secretário-executivo da UNFCCC (o braço climático das Nações Unidas), Simon Stiell, assinou o documento demandando que a proteção seja reforçada e que os problemas (como alagamentos e altas temperatura no ambiente) sejam resolvidos.
Meses antes do início da conferência, dezenas de negociadores assinaram uma carta endereçada ao governo Lula e a Stiell pressionando para que a COP30 fosse transferida, ao menos em parte, para outra cidade - as reclamações eram sobre os altos preços de hospedagem e os problemas de infraestrutura da capital paraense.
O governo federal optou por mantê-la em Belém, e Lula destacou que isso demonstrava um ato de coragem. O incidente ocorre na fase final da conferência, quando os países tentam fechar o texto final do acordo.

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