Publicado em 18 de julho de 2025 às 19:44
BRASÍLIA - Na decisão em que determinou o uso de tornozeleira eletrônica por Jair Bolsonaro (PL), o ministro Alexandre de Moraes escreveu que considera inconstitucional a anistia a atos relacionados à trama golpista, projeto que está na Câmara dos Deputados e que hoje representa a principal bandeira política do bolsonarismo.>
O STF (Supremo Tribunal Federal) é a mais alta corte do país, responsável principalmente por resguardar a Constituição de 1988.>
Em sua decisão, Moraes diz não haver dúvida de que Bolsonaro e seu filho Eduardo pretendem forçar o engavetamento da ação penal da trama golpista, "seja por meio de uma inexistente possibilidade de arquivamento sumário, seja pela aprovação de uma inconstitucional anistia".>
Ainda de acordo com o ministro, essas medidas seriam usadas em troca do "término das agressões realizadas ao Brasil por meio de medidas econômicas" e como forma de impedir "que as autoridades judiciais, ministeriais e policiais brasileiras sejam apenadas pelo Executivo norte-americano".>
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Em 2024, diante da iminência da aprovação da medida na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, o então presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), decidiu retirar o projeto de anistia do órgão e criar uma comissão especial para analisar o tema.>
A medida foi uma forma de ganhar tempo. O seu sucessor, Hugo Motta (Republicanos-PB), sofre constante pressão da bancada bolsonarista para levar o tema a voto.>
O projeto da anistia em sua última versão, relatado por Rodrigo Valadares (União Brasil-CE), estabelecia perdão aos condenados pelo 8 de janeiro de 2023, ampliando o escopo a todos os atos pretéritos e futuros relacionados aos ataques golpistas – o que, na avaliação de deputados governistas, abre margem para beneficiar Bolsonaro e os demais réus na ação penal da trama.>
Caso a medida seja aprovada pelo Congresso, é praticamente certo que ela acabe sendo questionada no STF.>
Em entrevista ao C-Level Entrevista, videocast semanal da Folha de S.Paulo, o presidente da corte, Luís Roberto Barroso, manifestou uma posição diferente. "Em linha de princípio, anistia é uma competência do Congresso Nacional", afirmou ele, ressalvando que o STF poderia vir a analisar alguma medida eventualmente aprovada pelo Parlamento.>
O ministro Gilmar Mendes, decano da corte, também já se manifestou sobre o projeto de anistia, declarando não ver cabimento na proposta, embora não tenha manifestado uma análise direta sobre a possível inconstitucionalidade da medida.>
De acordo com balanço divulgado no início do mês pela Procuradoria-Geral da República, o STF já condenou 643 acusados de participação nos ataques à sede dos três Poderes, em Brasília.>
Na última terça-feira (15), a PGR reafirmou pedido de condenação de Bolsonaro e dos outros sete réus do núcleo central da trama.>
"A cooperação entre si dos denunciados para esse objetivo derradeiro, sob a coordenação, inspiração e determinação derradeira do ex-presidente da República denunciado, torna nítida a organização criminosa, no seu significado penal", escreveu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, no documento.>
A expectativa no Supremo é que o processo sobre a tentativa de golpe de Estado esteja pronto para ir a julgamento no início de setembro.>
O ex-presidente já foi condenado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por ataques e mentiras sobre o sistema eleitoral e é réu no STF sob a acusação de ter liderado a trama golpista de 2022. Hoje está inelegível ao menos até 2030.>
Caso seja condenado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado, a pena pode passar de 40 anos de prisão.>
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