Publicado em 19 de novembro de 2025 às 16:27
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou pela primeira vez desde a aprovação do PL Antifacção pela Câmara dos Deputados, afirmando que o texto, da forma como avançou na Casa, enfraquece o combate ao crime e gera insegurança jurídica.>
O texto deliberado pelos deputados na terça-feira (18) foi sexta versão apresentada pelo relator Guilherme Derrite (PP-SP), alvo de críticas do governo federal por alterar pontos considerados principais da proposta original.>
"O projeto aprovado ontem pela Câmara alterou pontos centrais do PL Antifacção que nosso governo apresentou. Do jeito que está, enfraquece o combate ao crime e gera insegurança jurídica. Trocar o certo pelo duvidoso só favorece quem quer escapar da lei", escreveu em sua conta do X (antigo Twitter).>
Na manifestação, o presidente reforçou um posicionamento já dado por seus ministros desde a apresentação da sexta versão, de que a intenção do governo agora é a de que no Senado a discussão tenha um tom de maior responsabilidade e diálogo.>
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"O compromisso do governo do Brasil é com uma agenda legislativa que fortaleça as ações da Polícia Federal, garanta maior integração entre as forças de segurança e amplie o trabalho de inteligência para enfrentar as facções nos territórios onde elas tentam se impor, mas especialmente para atingir as estruturas de comando que sustentam e financiam seus crimes. Estamos do lado do povo brasileiro e não abriremos mão de combater de verdade toda a cadeia do crime organizado", finaliza a nota.>
Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o texto do PL "asfixia a Polícia Federal" e não combate o crime organizado.>
"Como ministro da Fazenda e, portanto, responsável pela Receita Federal do Brasil pelas aduanas brasileiras, e essas três operações que eu citei, os fundos de lavagem de dinheiro da Faria Lima, a máfia dos postos de combustível no Rio de Janeiro e a questão da fraude no sistema financeiro, elas serão enfraquecidas com esse projeto, que, repito, asfixia financeiramente a Polícia Federal, e não o crime organizado", declarou Haddad.>
O ministro afirmou ainda que o projeto da forma como avançou na Câmara vai na contramão do que é necessário para o combate ao crime e reforçou o posicionamento dado na véspera pela ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) de que o relator não dialogou com o governo.>
Governistas tentaram mudar o texto na votação em plenário por meio de destaques, mas foram derrotados. Agora, o projeto segue para o Senado e será relatado por Alessandro Vieira (MDB-SE). Se a Casa fizer mudanças, o texto volta para nova apreciação dos deputados.>
O projeto enviado pelo governo tinha como finalidade modernizar e fortalecer o ordenamento jurídico brasileiro, atualizando normas para um enfrentamento mais eficaz ao crime organizado, especialmente às facções.>
Durante a tramitação, porém, Derrite promoveu alterações e optou por criar uma lei autônoma sobre organizações criminosas ultraviolentas, afastando-se da proposta original de apenas atualizar a legislação vigente. Apesar da falta de consenso sobre as versões, a intenção em ambos os casos é criar mecanismos mais eficientes para enfrentar a crise de segurança pública causada pelas organizações criminosas, especialmente as facções.>
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