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Ultimato

Governo Lula rejeita seguir negociação com professores em greve

Ministério da Gestão enviou email a sindicatos mantendo proposta feita no último dia 15 e exigindo a assinatura de um acordo até a próxima segunda-feira (27)

Publicado em 22 de Maio de 2024 às 20:09

Agência FolhaPress

Publicado em 

22 mai 2024 às 20:09
SÃO PAULO - Em email encaminhado a sindicatos, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos rechaçou dar continuidade às negociações por reajuste salarial dos professores federais, atualmente em greve, e exigiu a assinatura de um acordo até segunda-feira (27).
"O governo apresentou a sua proposta final, [...] não restando, portanto, margem para a recepção de novas contrapropostas", escreveu a pasta na mensagem distribuída na terça-feira (21). Foi uma resposta ao Andes (Sindicato Nacional dos Docentes de Instituições de Ensino Superior), que na segunda (20) decidiu manter a paralisação.
Manifestação de servidores públicos estaduais na Esplanada dos Ministérios.
Manifestação de servidores públicos realizada em abril na Esplanada dos Ministérios. Crédito: Jose Cruz/ Agência Brasil
A proposta citada pelo ministério, enviada no dia 15, prevê reajuste de 4,5% ao ano para 2025 e 2026. Os servidores, porém, pedem aumento já a partir deste ano. A categoria pede readequação de 7,06% em 2024, de 9% em janeiro de 2025, e de 5,16% para 2026.
Em nota, o MEC (Ministério da Educação) afirmou estar sempre aberto ao diálogo, franco e respeitoso, pela valorização dos servidores.
A postura da gestão Lula (PT), contudo, tem irritado os grevistas. "O governo federal expressa, com essa mensagem [do Ministério da Gestão], uma imensa intransigência com o processo negocial, para além de um desrespeito com a dinâmica grevista", disse Gustavo Seferian, presidente do Andes.
"Nós queremos negociar, e caso a base da categoria entenda por apresentar uma nova contraproposta, será essa nossa ação no dia 27 de maio", continuou, relativizando o ultimato dado pelo ministério de Esther Dweck.
Os membros do sindicato avaliam que a postura de Brasília fortalece o movimento grevista e enfraquece o discurso pró-educação da administração petista.
Professores de universidades, centros de educação tecnológica e institutos federais das cinco regiões do país iniciaram a greve no dia 15 de abril. Além da recomposição salarial, eles exigem investimentos nas instituições diante do sucateamento promovido pelo governo Jair Bolsonaro (PL).
Mesas de negociação – com participação do MEC e da pasta responsável por serviços públicos – ocorrem desde então. Todas as propostas para o fim da paralisação foram negadas pelos educadores.
De acordo com o Andes, ao menos 31 instituições federais estão com aulas suspensas – 26 universidades, quatro institutos federais e um centro tecnológico. Entre elas estão a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes).

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