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Governo Lula condena ameaça dos EUA de uso de força militar por julgamento de Bolsonaro

Governo Lula condena ameaça dos EUA de uso de força militar por julgamento de Bolsonaro

Gestão repudia "ameaça de uso da força" pelos Estados Unidos contra a democracia, em meio a julgamento de Bolsonaro, e diz que Poderes não vão se intimidar

Publicado em 9 de setembro de 2025 às 20:59

BRASÍLIA - O governo Lula (PT) reagiu à declaração do governo Donald Trump sobre mobilizar uma ação militar contra o Brasil em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e disse, em nota divulgada pelo Itamaraty, que condena o uso de sanções econômicas ou "ameaça de uso da força contra a democracia".

"O governo brasileiro condena o uso de sanções econômicas ou ameaças de uso da força contra a nossa democracia", afirma a nota. O mesmo comunicado diz que os Poderes não vão se intimidar por ataques à soberania nacional.

"O governo brasileiro repudia a tentativa de forças antidemocráticas de instrumentalizar governos estrangeiros para coagir as instituições nacionais", diz o comunicado do governo.

"O primeiro passo para proteger a liberdade de expressão é justamente defender a democracia e respeitar a vontade popular expressa nas urnas. É esse o dever dos três Poderes da República, que não se intimidarão por qualquer forma de atentado à nossa soberania", diz a nota divulgada pelo Itamaraty.

Nas redes sociais, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, atribuiu a manifestação a uma conspiração da família Bolsonaro contra o país. Em seu post, Gleisi disse que os Estados Unidos ameaçam invadir o Brasil para livrar Bolsonaro da cadeia.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado da ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann
O presidente Lula acompanhado da ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Um ministro palaciano diz que é preciso esperar para ver o que a ameaça significa e as credenciais da porta-voz para anunciar ações bélicas do governo Trump.

No lançamento do livro "8 de janeiro: golpe derrotada, democracia preservada", o ministro Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) afirmou, em discurso, que o STF não se intimidará pelas ameaças dos EUA. "Pode dizer ao Trump que o STF vai decidir com soberania. Quem com porcos se junta farelos come", disse.

Em uma rede social, o advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou que o "comichão neocolonialista alcança hoje [terça, 9] um grau mais baixo, culminando com a infeliz declaração da porta-voz da Casa Branca sobre o uso de poderio econômico e militar".

"Nós, que sobrevivemos a décadas de sangrenta ditadura, sabemos valorizar melhor que ninguém o valor da liberdade de expressão", disse Messias.

Outro ministro chamou de ridículo o argumento de desrespeito à liberdade de expressão no Brasil, lembrando que há dois dias bolsonaristas levaram às ruas uma bandeira americana em manifestações marcadas por críticas a Lula e ao Judiciário.

Outro auxiliar de Lula afirmou que, diante da gravidade da ameaça, o Itamaraty deverá se manifestar e os parlamentares serão encorajados a responder à Casa Branca. Ele ressalta ainda que, no momento da ameaça, o presidente Lula estava em trânsito para Brasília, após cumprir agenda em Manaus, e ainda se manifestará sobre as declarações da porta-voz de Trump.

Sob reserva, um diplomata admitiu que já havia expectativa de manifestação dos EUA e que não se tem ideia de qual será a reação do governo Trump, marcado pela imprevisibilidade. Outro afirmou que não iria alimentar esse debate na semana do julgamento.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta terça-feira (9) que o presidente Donald Trump aplicou tarifas e sanções contra o Brasil para proteger a "liberdade de expressão" e que o país não terá medo de usar o "poder econômico e militar" para defendê-la.

A declaração foi dada em resposta a uma pergunta durante entrevista coletiva. Leavitt foi questionada sobre se os Estados Unidos preveem mais sanções ao Brasil em razão do julgamento de Jair Bolsonaro no STF e também a outros países da Europa que estariam censurando a liberdade de expressão, segundo o jornalista.

A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil republicou um vídeo com a resposta completa de Leavitt no X (ex-Twitter), mas na mensagem que acompanha o post não citou o trecho em que a porta-voz fala sobre o uso de poder militar.

Nas redes, Gleisi afirmou que "a conspiração da família Bolsonaro contra o Brasil chegou ao cúmulo hoje, com a declaração da porta-voz de Donald Trump de que os EUA podem usar até força militar contra o nosso país". No post ela disse ainda que o mandato de Eduardo Bolsonaro (PL), que se afastou da Câmara de Deputados para articular a defesa do pai nos EUA, deveria ser cassado.

"Não bastam as tarifas contra nossas exportações, as sanções ilegais contra ministros do governo, do STF e suas famílias, agora ameaçam invadir o Brasil para livrar Jair Bolsonaro da cadeia. Isso é totalmente inadmissível. E ainda dizem que estão defendendo a 'liberdade de expressão'. Só se for a liberdade de mentir, de coagir a Justiça e de tramar golpe de Estado; estes sim, os crimes pelos quais Bolsonaro e seus cúmplices estão sendo julgados no devido processo legal. E o filho, traidor da pátria, precisa ser cassado!", publicou.

Na entrevista, Leavitt disse que Trump está protegendo os interesses do país no exterior e nos EUA. "Então, não tenho nenhuma ação adicional para antecipar para vocês hoje, mas posso dizer que esta é uma prioridade para a administração, e o presidente não tem medo de usar o poder econômico e o poder militar dos Estados Unidos da América para proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo", concluiu.

A declaração é dada no momento em que o STF julga Bolsonaro e outros sete réus acusados de uma articulação para impedir a posse de Lula na Presidência.

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