Publicado em 18 de janeiro de 2021 às 10:02
- Atualizado Data inválida
Tanto no caso da Coronavac, do Butantan quanto no da vacina da Fiocruz/Oxford, é importante destacar que a avaliação das imunizações não se encerra com a reunião da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deste domingo (17). >
Os estudos continuam, com o acompanhamento dos pacientes para analisar a eficácia a longo prazo e o tempo de proteção conferido por cada vacina.>
A aprovação do uso emergencial das vacinas veio com uma série de condicionantes. A principal delas é um termo de compromisso que deverá ser assinado pelo Instituto Butantan, relativo à vacina Coronavac, desenvolvida em parceria com a empresa chinesa Sinovac. A questão é que o Butantan não apresentou todos os dados previstos sobre a presença de anticorpos nas pessoas vacinadas.>
O envio era exigido pela Anvisa desde sábado (9), quando foi finalizada a triagem inicial dos documentos que faziam parte do pedido.>
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"Fizemos reunião com o Butantan, colocamos importância desse dado e se comprometeram a apresentar. Na quarta apresentaram, mas não um dado quantitativo, que é o ponto mais importante pra gente", afirma. "Precisamos saber ao longo do tempo e a titulação, que é saber a quantidade de anticorpos. Se não tiver quantidade mínima de anticorpos, não garante que vão conseguir neutralizar o vírus", disse o gerente-geral de medicamentos da agência, Gustavo Mendes.>
Segundo Mendes, os dados apresentados, que apresentavam apenas se houve geração de anticorpos ou não, não foram considerados adequados para avaliação. "Queremos o acompanhamento desses anticorpos, e quanto tempo duram esses anticorpos neutralizantes.">
Idealmente, esses dados deveriam mostrar, de forma quantitativa, a presença dessas moléculas de defesa do organismo dos participantes do estudo no Brasil. Ou seja, deveria haver uma correlação clara entre a vacinação e a quantidade (ou título, como dizem os pesquisadores) de anticorpos capazes de neutralizar a ação do Sars-CoV-2, vírus causador da Covid-19.>
Isso aconteceu no caso das fases 1 e 2 dos testes da Coronavac (realizadas com menos voluntários), nas quais foi possível fazer essa medição, mas a fase 3 dos testes, com o maior número de participantes, ainda não tem esses dados disponíveis, segundo a Anvisa. As informações repassadas por enquanto são qualitativas -ou seja, se as pessoas têm ou não os anticorpos no organismo-, mas ainda não quantitativas, estimando o nível exato de tais anticorpos. Também não está clara a mudança desses níveis ao longo do tempo dos estudos.>
O Butantan deverá assinar o termo de compromisso para repassar tais informações à Anvisa e manter esse monitoramento conforme novos dados são recolhidos.>
Ainda sobre a Coronavac, Mendes afirmou que os dados apresentados sobre a aplicação da vacina em idosos foram insuficientes para permitir "conclusões mais robustas". Segundo ele, apenas cinco idosos foram incluídos no estudo, sendo que três receberam placebo e outros dois foram efetivamente vacinados.>
"A quantidade de idosos presentes no estudo era muito pequena e não permitiu que a gente tivesse um dado de eficácia e segurança da vacina [nesse grupo]", afirmou.>
Uma questão que ainda precisa ser resolvida totalmente é a diferença de métodos entre o sistema de produção chinesa e os parâmetros ocidentais adotados pela Anvisa no que diz respeito ao controle de qualidade da vacina (presença de impurezas, contaminantes etc.)>
A produção da Coronavac adota esses parâmetros com base na farmacopeia chinesa, que não é reconhecida pela decisão de 2009 da Anvisa que estabelece isso. Existe alguma comparabilidade em diversos parâmetros, mesmo assim, mas um dado que faltou foi a presença de DNA residual de células de primatas (usadas para cultivar o vírus) na vacina.>
Mendes destacou que o Butantan se comprometeu a fazer o controle de qualidade de futuros lotes segundo parâmetros mais aceitos pela Anvisa. "A gente entende que isso resolveu nossa dúvida.">
Tanto no caso da Coronavac quanto da vacina de Oxford/Fiocruz, esse tipo de monitoramento constante nos próximos meses é a principal exigência da Anvisa para confirmar que as vacinas são seguras e eficazes a médio e longo prazo.>
No caso específico da vacina de Oxford, o mais "desafiador" da vacina de Oxford/Fiocruz foram as diversas mudanças no processo de fabricação conforme a escala da produção foi aumentando, segundo Gustavo Mendes.>
Também restam algumas dúvidas sobre a pureza do produto e sobre sua estabilidade no longo prazo (por enquanto, sugere-se um prazo de seis meses).>
Segundo ele, os resultados dos dados da vacina da AstraZeneca mostram uma "eficácia significativa", dentro dos intervalos mínimos que são sugeridos pelas organizações internacionais para classificar as imunizações. Como o laboratório já havia divulgado, a eficácia dessa vacina foi de 70,34%>
Mendes ressaltou que a única exceção é o grupo dos idosos -com os dados apresentados, não é permitir um cálculo de eficácia significativa, assim como com a Coronavac.>
Além disso, uma série de acasos durante o processo de testes clínicos afetou os resultados da vacina de Oxford.>
Algumas pessoas receberam duas doses, outras uma dose e meia, por problemas de determinação da concentração do produto, e curiosamente as pessoas que receberam as doses totais menores tiveram uma resposta maior do sistema de defesa do organismo, aparentemente ficando mais protegidas.>
Também houve atrasos na segunda dose para algumas pessoas, e os intervalos maiores entre doses também levaram a respostas mais altas do organismo.>
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