São Paulo - A campanha presidencial mais acirrada desde a redemocratização brasileira de 1985 chega ao fim neste domingo (25) com um segundo turno eletrizante: o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 51% dos votos válidos e o presidente Lula (PT), 49%, segundo o Datafolha.
Pesquisa realizada na sexta-feira (23) e neste sábado (24) ouviu 4.050 eleitores, em 124 municípios, e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou menos.
Voto válido é o critério adotado pelo Tribunal Superior Eleitoral para a divulgação dos resultados do pleito. Ele exclui os votos em branco e nulos e, na pesquisa, os indecisos.
Na quinta-feira (22), na rodada anterior do Datafolha, havia empate com ambos os candidatos marcando 50% dos válidos em números arredondados. No começo da campanha do segundo turno, a distância entre Flávio e Lula era de quatro pontos nos válidos.
Nos votos totais, que embutem indecisos, brancos e nulos, o primogênito de Jair Bolsonaro marcou neste levantamento 48%, ante 47% do presidente. Dizem invalidar o voto 3%, e outros 2% se dizem indecisos. Na pesquisa de quinta, Flávio tinha 47% e Lula, 46% dos totais. Brancos e nulos eram 5% e indecisos, 2%.
Dizem estar certos de seu voto 95% dos ouvidos, com 5% admitindo mudar neste domingo. A taxa é semelhante entre quem opta por Lula (96%) e Flávio (95%).
Já a motivação do voto segue com diferenças. Enquanto 74% dos ouvidos dizem escolher o presidente por suas qualidades, 16% o fazem para se livrar do adversário. Entre bolsonaristas, a proporção é de 67% e 21%, respectivamente, e entre lulistas, 82% e 10%.
Com a disputa parelha, detalhes em microgrupos fazem a diferença, assim como o vital fator da abstenção, que chegou a 21,08% no primeiro turno.
A tentativa de convencer o eleitor a ir votar é um dos motores da campanha de Lula no segundo turno, dado que grupos que tendem a escolher o petista são usualmente os que mais faltam às urnas.
Mas um dado da abstenção no primeiro turno chamou a atenção: o grupo em que ela mais cresceu foi o de jovens de 21 a 24 anos, chegando a 1/4 deles. Assim, a guinada da campanha do PT em direção às redes sociais e à mobilização puxada por estudantes nas ruas é algo a ser observado.
Entre os jovens de 16 a 24 anos, que somam 12% da amostra num segmento com cinco pontos de margem de erro, Lula lidera por 54% a 46% dos válidos.
Nos grandes grupos, Flávio tem uma vantagem significativa no Sudeste, maior colégio eleitoral do país com 42% dos aptos a votar. Ele bate Lula por 55% a 45% dos válidos. No Sul, onde moram 14% dos eleitores, o senador tem 65%, ante 35% do presidente.
Entre os 46% mais pobres, eleitorado vulnerável em termos de abstenção, Lula lidera por 60% a 40%. Entre os 27% de nordestinos, por 67% a 33%, mantendo o padrão de toda a campanha.
Na clivagem religiosa, o bolsonarismo segue mais forte entre os 28% de evangélicos: 70% escolhem Flávio e 30%, Lula. Nos 49% de católicos, a vantagem é do presidente: 56% a 44% dos válidos.
O crepúsculo da campanha foi marcado por uma intensa movimentação em torno do TSE e pelo debate presidencial da noite de sexta na Globo, além de grandes manifestações de rua.
O tribunal foi instado a se posicionar sobre um estratagema lançado por Lula no debate do domingo (18) na Band, quando desafiou Flávio e família a abrir o sigilo em troca do mesmo de seu lado. Subsistiu um bate-boca com o senador ao fim aceitando de forma condicional a iniciativa.
O TSE resolveu a questão dizendo que ambos eram livres para fazer o que quisessem, sem interferência judicial. Nada passou de uma artimanha, até pelo tempo exíguo para levantar dados e analisá-los de forma séria, com prejuízo político maior a Flávio.
Nesta sexta, um ministro da corte também decidiu que, a despeito das dúvidas colocadas na véspera pelo presidente Kassio Nunes Marques, o TSE não poderia suspender o canal de WhatsApp "Exército do Lula", motor da virada digital da campanha petista.
Já o debate na Globo ocorreu sob forte expectativa, após o agressivo encontro na Band. O encontro teve mais ataques mútuos do que propostas, mas foi bastante mais comedido do que o anterior.
O senador novamente foi grosseiro com o presidente, chamando-o de nove dedos, e acabou perdendo o controle de sua bandeira de rigidez na área de segurança pública com a presença e a citação à mãe da menina Ana Clara, morta por um policial que Flávio defendeu como advogado.
A pesquisa foi encomendada pela Folha e pela TV Globo, e está registrada no TSE sob o código BR-09540/2026.
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